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Categoria - Paisagens e lugares Santo Amaro, seus monumentos e seus artistas. Parte 1 de 4 Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 07/10/2013

Santo Amaro, um “bairro cidade” que já foi município de São Paulo por um século, 1833 a 1935, tornando-se bairro por decreto em 1935 e, como tal, ainda hoje conserva ares de interior que pode se notar em algumas ruas, ainda tortuosas e estreitas, herdadas dos colonizadores portugueses, que ainda hoje predomina nessa cidade cosmopolita, onde mesmo nos bairros novos as ruas são estreitas e que depois de tudo construído seus proprietários são desapropriados para alargamento.

Também com suas casas simples de telhado feito “nas coxas” (romana antiga), telha essa feita por escravos onde moldavam a telha na coxa e cada uma saia de uma medida devido ao tamanho das pernas dos escravos.

Assim como podemos notar nos sotaques dos decanos do bairro com seu palavreado característico de uma época não tão distante e herdados por muitos.

Sua praça principal tem como símbolo maior das cidades do interior que é o coreto onde se ouvia muitas retretas com suas bandas musicais, com os músicos todos uniformizados de um azul forte e quepe também azul com detalhes em amarelo ouro, que há muito tempo está desprestigiado pelas autoridades e modernidade, ainda de vez em quando é convidada a tocarem em algum evento saudoso do bairro.

Suas músicas e retretas foram substituídas pela música nordestina e por repentistas que tomaram conta dessa região e, não obstante, cantores bolivianos espalhados nos cantos do Largo Treze de Maio divulgando sua música, sua tradição, tudo isso afugentou o sênior santamarense que ficou recluso em suas casas, também pelo perigo das ruas.

Fato esse explicável pela migração nordestina a procura de melhor condição de vida em nossa região e como prova disso foi a criação de uma das maiores casas de show e alimentos nordestina em São Paulo que foi o Patativa Santo Amaro, já fechado, rivalizando com o CTN, Centro de tradições nordestina, no bairro do Limão, onde as casas oferecem o Nordeste em São Paulo em todos os segmentos.

Esse fato da ocupação nordestina em Santo Amaro está bem descrito no livro da escritora e professora santamarense, Maria Helena Petrillo Berardi, falecida em 2012, onde o titulo diz: “Santo Amaro, memória e história do botina amarela ao chapéu de couro”, que traduz bem essa “substituição” do caipira santamarense pelo nordestino em nossas terras.

É um bairro que possui em homenagem a seu passado e sua gente vários monumentos, realizadas por artistas plásticos de Santo Amaro e que possui replica por diversas cidades de São Paulo, como: Manoel de Borba Gato de Júlio Guerra.

Continua...

E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 09/10/2013

Estanis, gostei muito do seu texto e me sinto convidada a visitar o bairro, pois quase não conheço Santo Amaro. Estive lá pouquíssimas vezes no século passado (rsrsrs). Pode esperar - em janeiro - quando vou invariavelmente a S.P., estarei lá. Meus parabéns pelo relato tão interessante e pela sugestão de leitura. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 08/10/2013

Stan, a mudança de município pra bairro, fez de Sto. Amaro uma extensão periférica da cidade de São Paulo. Não seria, (na minha opinião) muito diferente se permanecesse como município. A procura de moradia, por sorte da migração, seria igualmente o pois a região se mostrava (e ainda se mostra) atraída pelos nossos irmãos de outros municípios e estados, como outrora era o ponto quase que, exclusivo da colonia germânica, principalmente. Nem por isso seu trabalho se torna desinteressante, muito pelo contrário, vamos aguardar os próximos episódios, na certeza de que a qualidade da sua escrita será, igualmente informativa e de bom gosto. Parabéns, Rybczynski, a qualidade de sua narrativa é, no mínimo, impecável.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 08/10/2013

Estan, vc descreveu o bairro tão bem que me senti caminhando por ele.

Parece que os bairros de S Paulo é como uma cidadezinha do interior, onde todo mundo se conhece, onde as casas são de telhas romanas , mas com uma diferença;cresce assustadoramente e verticalmente.

Enviado por Bene - dosanjos1950@gmail.com
Publicado em 08/10/2013

Estam muito boa a sua cronica mostrando toda a transformacão daquele Santo Amaro que eu conhecia nos meus tempos de taxista a mais de 50 anos atras . Esperaremos com ansiedade pelos proximos capitulos , que com certeza para mim serão tambem de mais surpresas.Parabens pelo texto .

Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 07/10/2013

Parabéns Estanislau,és um encantador de Santo Amaro! Passo às vezes pela estatua do Borba Gato, quando vou na casa de minha irmã.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
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