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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Vândalos e “blá-blá-blá...”. São Paulo em lágrimas Autor(a): Vilton Giglio - Conheça esse autor
História publicada em 18/10/2013
Estou em lágrimas nos últimos tempos, pois tenho sofrido muito, são pessoas dormindo nas calçadas (moradores de rua), na porta do Tribunal de Justiça, ao lado do Pateo do Collegio, subindo junto a Catedral da Sé, em suas escadarias, temos "pedintes”, usuários de drogas, turistas "chiques", Guardas Municipais, PM, todos de braços cruzados olhando e assistindo a tudo. 
 
Respiro fundo, um cheiro insuportável de "urina, suor, etc. e tal, temos pastores vendendo a bíblia e falando de Deus, mas ao mesmo tempo vende "CD" e pede esmolas, são empresários da Igreja, isso começa pela manhã e vai ocorrendo durante o dia. Nesse meio, temos manifestações, brigas, assaltos. 
 
Dentro da Catedral, há seguranças, aliás, há também avisos pregados dentro da igreja, “não deixe seus pertences nos bancos, cuidado...” Atrás da igreja, lógico, ela toda cercada por grades e o estimado Papa pedindo humildade e muita, no que está certíssimo.
 
Fico triste, emocionado, tenho em mim, miséria, pessoas... Mais a frente, tem a Igreja do Largo São Francisco, na sua frente tem uma família dentro de uma barraca, com duas crianças, uma mulher e um homem. Tem também um cheiro fortíssimo de urina, manhã fria, gélida, a missa começa, na entrada da Igreja tem um bazar de pães caseiros, "santinhos" a venda. Já estou deprimido e chorando no meu espírito, alma, no meu coração, quase não ando. Entre esses homens, há os que passam fome, roubam, prostituem-se, tem os imigrantes em busca de um amanhecer melhor, como os bolivianos, chilenos, paraguaios, em meu quadrilátero tanto no velho e novo centro, sinto muitas tristezas nos últimos anos tenho também alegrias claro por acolher todos com carinho, amor.
 
O que está acabando comigo nos últimos anos e dias são vândalos, povos destruidores dos anos 455 de Roma, literalmente, e agora junto eles têm “os blá-blá-blá”. Povos bárbaros e antigos que com seu ungido começaram a falar assim “uuuu..” e “blá-blá-blá...”, esse “blá-blá-blá...” vocês deduzam de quem escrevo.
Choro, choro, choro minhas lágrimas não param, não destruam-me, meus monumentos, igrejas, praças, viadutos, museus, não, não, por favor, não quebrem-me, assim como fizeram com as obras de Roma no ano 455, seus vândalos, bárbaros..
 
Encarecidamente, peço a vocês, jovens e não jovens, ocupem suas mentes com manifestações pacíficas, inteligentes, e vocês são, e muito, lamento que destruam-me diariamente.
 
Fiquem na paz.
 
 
 
 
E-mail: viltongiglio25@gmail.com
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Publicado em 21/10/2013

Vilton, atualmente houve um aumento em tudo, inclusive no vandalismo que sem dó ou piedade destroem a cidade de São Paulo. Quando teremos um basta!Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 21/10/2013

Eu também choro com voce o caos em que deixaram a nossa cidade...A cada dia a sujeira o mau cheiro a bagunça e a criminalidade aumenta...

Parece que ficamos sem lei,sem principios e sem racionalidade...

Nem Deus consegue mais tomar conta do seu filho trabalhador e pessoa do bem,o mal se tornou maior e avassalador..O centro de São Paulo parece um inferno cheio de Zumbis se rastejando ou praticando barbáries indiscriminadamente...Acho que ninguém segura mais e nem conserta a montanha de erros e corrupções acumulados por anos e anos em nossa cidade, e que o povo acreditou sempre mais uma vez que algo seria feito...Acho que perdemos,agora é muito tarde...Pêsames para São Paulo.

Enviado por Walquiria Rocha Machado - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 21/10/2013

Não acredito que esses Vândalos sejam paulistas e muito menos paulistanos, tenho certeza que quem ama sua terra Natal,jamais quer depredada-la

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 19/10/2013

Centro velho,berço do nascimeto de São Paulo.

Enviado por Vilton Giglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 19/10/2013

Realmente, Giglio, estão transformando São Paulo em verdadeira praça de guerra, imundice, abandono, seres parecidos com humanos, violência, vandalismo, donde saiu tanta aberração? a má educação, fazendo necessidades em qualquer lugar, desrespeito, arrogância, desejo ardente de praticar selvageria, que especie de raça pestilenta é essa? respondam, srs. donos do poder! triste mas, bem redigida crônica, Vilton, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 18/10/2013

Que belo texto!

Com certeza essa não é a cidade que eu conheci.

Ai que pena, pena mesmo.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 18/10/2013

Vilton, meu querido, a situação está difícil, complicadíssima e o seu texto é muito oportuno. Também já escrevi sobre esse blá blá blá e publiquei no Recanto das Letras, com o título "Peraí, gente". Passou da hora de haver compromisso sincero com o humano, suas perdas, angústias e limitações. Eu ainda sonho com uma sociedade mais consciente e comprometida, não apenas questionadora. Um abraço, meu amigo. Parabéns pelo texto.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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