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Categoria - Outras histórias Por uma nobre causa Autor(a): Ana Regina Carnevalli Parra - Conheça esse autor
História publicada em 29/11/2013

Em meados dos anos 80, fui transferida para trabalhar em um bairro da periferia, pertinho da Chácara Santana. Lugar com pouco recurso e favelas junto aos córregos, hoje felizmente canalizados.

 

Era pessoa nova no pedaço. Para realizar um dos meus trabalhos, precisava percorrer ruas e visitar pacientes. Naquela ocasião, dois casos graves de leptospirose foram diagnosticados.

 

Fui avistada pelo meu diretor que, em seguida, chamou-me para dizer que não queria que eu andasse naquele local, porque havia risco de morte. Expliquei que só estava em busca dos pacientes, para informações de vigilância.

 

Entendi a preocupação dele, mas fiquei inconformada. Queria só trabalhar!

 

Tive uma ideia: Vou procurar quem manda no pedaço.

 

Falei com um, com outro, mais outro, com mães, com articuladores, depois de uns dias o meu pedido foi atendido. Recebi um bilhete, com dia, hora e lugar para o encontro, por sinal bem perto de uma esquina onde fui avistada anteriormente pelo meu chefe.

 

Apresentei-me no local: um minúsculo boteco. O rapaz franzino já sabia do que se tratava e o meu coração batia mais rápido, agora sim, estou na boca do leão! Não desistirei.

 

Eis que apareceu do fundo da sala, um senhor alto, claro, elegante e de chapéu. Parecia até um astro do rodeio. Apresentei-me e comecei a falar do meu trabalho, dos doentes e da situação do córrego.

 

Ele colocou as mãos na cintura e disse: do que a senhora precisa?

 

Falei, falei não do que eu precisava, mas do que precisavam para promover saúde e medidas de prevenção. Depois que me ouviu, ele disse: a senhora terá tudo o que precisar para fazer isso. Pode ficar tranquila. Que mais precisa? Por fim, contei que lá no posto, o mato estava alto demais e não conseguíamos ninguém para cortá-lo.

 

Achei que foi demais a minha coragem e toda aquela conversa.

 

Final de semana, enfim segunda-feira.

 

De novo chamada pelo diretor com a pergunta: a senhora pode me explicar o que está acontecendo?

 

Ele disse: hoje quando cheguei, encontrei dois cavalos dentro da nossa área no estacionamento, com um recado de que estavam lá para acabar com o mato a seu pedido.

Respondi:

- Nossa, que rapidez, foi o chefão!

 

Naquele instante contei sobre o encontro. Quase fui morta, mas pelo meu próprio chefe!

 

Bem, mas o que importa é o resultado excepcional.

 

Houve mobilização de outros atores da instituição, grande colaboração da comunidade. Foi realizado um enorme mutirão para a limpeza do córrego, desratização de toda a região, instalação de “containers” para colocação do lixo domiciliar e a manutenção da limpeza pelos moradores. Os doentes também se restabeleceram. Um verdadeiro milagre!

 

Quanto ao mato, continuou sendo aparado do jeito dos cavalos...

E-mail: arcparra@ig.com.br
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Publicado em 04/12/2013

Ana, que belo gesto o seu, não é todo mundo que poe a mão na massa como você.Veja só o resultado, meus parabéns. Um grande abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 02/12/2013

São muito poucos os que arregaçam as mangas e fazem acontecer,é mais fácil deixar como está pois fazer dá trabalho e ninguém se habilita,só reclamam...O pior é que os próprios moradores das comunidades não tem a mínima noção de higiêne e nem de preservação,fico muito triste e indignada com isso.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 02/12/2013

Lendo de ler essa sua heroica historia, mais uma vez fico ainda mais convencido que os problemas existentes em nossas comunidades não são resolvidos por falta de empenho e coragem dos responsáveis de plantão. Parabéns. Em Tempo, pena que o nosso encontro de confraternização dos redondos com as redondas, tenha falhado, né.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 02/12/2013

Oi, Parra foi muito bom ter te encontrada na cantina que, infelizmente, pelo ocorrido não tivemos oportunidade de bater um bom papo. Seu texto indica sua nobre profissão de sanitarista, o que prezo e respeito bastante. Apreciei sobremaneira sua estória, é assim mesmo que se faz. Parabéns, Carnevalli.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 02/12/2013

Vários caminhos levam a Meca, o importante é ir a Meca. Você é prova viva disto.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 02/12/2013

Trabalho feito e com sabedoria e muita coragem vc conseguiu o que desejava.

Parabéns.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 30/11/2013

Ana, como sempre a solução de muitos problemas da comunidade nas mãos de poucos, parece quem está dentro do sistema não enxerga ou não querem exergar ou não deixam, isso se repete até os dias de hoje sob os olharem complacentes das autoridades,parabéns, Estan

Enviado por Estanislau Rybczynski - estantec@gmail.com
Publicado em 29/11/2013

Realmente, uma causa nobre. Com a omissão do Estado, você foi, sem dúvida, uma guerreira que soube valer o compromisso com a saúde. Parabéns pela atitude de imensa coragem e pelo exemplo como cidadã.

Tenho muito orgulho de pessoas como você. Um beijo enorme, minha querida.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 29/11/2013

Parabéns.

Realmente chegou e mudou tudo para melhor.

É de pessoas assim que o mundo precisa.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 29/11/2013

Muito bem Ana Regina. Parabéns!

Enviado por Asciudeme Joubert - asciudeme@ig.com.br
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