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Categoria - Outras histórias Uma vida, muitos mestres Autor(a): Benedita Alves dos Anjos - Conheça esse autor
História publicada em 29/01/2014
Minha professora de primário ainda vive.
 
Dona Eunice.
 
Ainda conserva aquela alegria, coisa que mesmo com a enfermidade tem um sorriso e um batonzinho nos lábios.
 
Anda tão devagarzinho, não tenho certeza de quantos anos ela tem.
 
Esteve muito doente, como nunca se casou vive só.
 
Mas sua casa é impecável. Tem um enorme quintal, de vez em quando passo para lhe dar um alô.
 
Meus mestres ao longo da vida foram muitos, muita coisa me ensinaram, alguns foram intolerantes, outros de uma intensa bondade.
 
Mas hoje até dos intolerantes eu tenho saudade.
 
Madre Amélia nunca sorria, mas um dia me abraçou, e tenho ainda o seu perfume.
 
Madre Cláudia era um anjo de bondade, até brincava de queimada.
 
E era disputada, todas queriam estar perto dela.
 
Certo dia me obrigou a comer um prato cheio de batata- baroa, eu detestava, mas aprendi; enquanto não comi o que foi colocado no prato não sai da mesa.
 
Outro dia derramaram uma sopeira no meu colo, ela não ficou brava, porque eu não tinha prestado atenção em quem me passava a sopeira.
 
Ela era professora de Geografia, eu sempre tirava notas boas, mas também prestava atenção e gostava de desenhar os mapas bem direitinho.
 
Madre Eufemia, professora de matemática, “ah” dessa eu morria de medo, a melhor nota era sete, e para tirar um cinco me levantava muito cedo, e eu estudava e rezava porque a prova dela era fogo.
 
Madre Domitilla, Madre Maria, e outras madres.
 
No banco haviam os encarregados, não me lembro dos nomes. Havia um chefe, muito, mas muito, bonzinho e quando errava algum serviço me chamava e explicava. Borderô eram duplicatas e certa vez digitei IOF, que quase me custou o emprego.
 
Mas quando havia cortes nos funcionários, eu brincava que era uma pedra que não passava na peneira; e não passava. Deus sempre me ajudava.
 
Pudera, sempre estava disposta a fazer horas extras, Carnaval então, todo mundo voltava cansado e eu tinha muitas horas extras para receber.
 
Hoje em dia as pessoas mudam de emprego como mudam de roupa, por qualquer besteira já estão fazendo tudo de errado para serem mandados embora, tem seguro desemprego, e tudo o mais.
 
Sempre ensinei minha filha a deixar sempre uma porta aberta, porque a gente nunca sabe as voltas que a vida dá.
 
Ser honesto, dedicado e sincero não é uma virtude e sim obrigação.
 
Estou feliz porque ela aprendeu a lição, e agora vou me deitar na rede, tirar minha sexta, porque tenho direito.
 
E meu pensamento viaja, Vila Mariana, Ipiranga, Praça da República, Vila Madalena. Tem coisa melhor do que viajar na rede?
 
E-mail: dosanjos81@gmail.com
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Publicado em 03/02/2014

Bene, de tão bons mestres que você teve, tornou-se uma ótima professora. Você é uma lição de vida, balança na rede, você merece.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 30/01/2014

Benê, minha querida. As suas lembranças são ótimas e ainda bem que você guardou ternura e reconhecimento no coração, até das professoras menos tolerantes. Isso e sinal de felicidade e respeito. Parabéns, amiga. E viaje mesmo. É ótimo. Na rede, então... Um beijo em meus parabéns.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 30/01/2014

Lembranças e dedicações, nunca esqueceremos estas qualidades, sempre presentes, por mais tempo que passa. Parabéns, dos Anjos.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 30/01/2014

Eram realmente mestres, não apenas professavam o saber, eram acima de tudo educadores. Parabéns pela recordação destes que, através da educação, podem mudar uma nação!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 30/01/2014

Lindo!!!Lindo!!!Lindo!!!meu coração sorri quando vejo alguém que lembra de seus professores...Os meus nunca sairam de dentro do meu coração e volta e meia estou pensando neles...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 29/01/2014

Legal Bené, também me lembro bem dos meus professores do primário e seus nomes -Aparecida 1ºano - 2º ano Dona Olga - 3ª ano Dna. Maria Raiko (uma loira lindíssima, minha paixão de adolescente) 4º Sr. Camargo (enérgico e exigente o rei do bofetão), mas era um grande mestre. Mais tarde no ginasial no Seminário: Monsenhor Lino, Padre Nelson, Pe. Paulo, Pe. Geraldo, Padre Manoel Pestana, que depois foi o Bispo de Anápolis - Go. Parabéns pelo texto.

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Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 29/01/2014

Duas professoras que não esqueço . Primeira Dona Malvina - Apesar do nome iniciar com (mal) nunca esqueço dela. Segunda - Dona Anália que me lembra a música "Se Anália não quiser ir eu vou só, eu vou só, eu vou só , mas eu vou . Forte Abraço ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 29/01/2014

PARABENS PELO LINDO TEXTO,

JAMAIS ESQUECEREMOS OS NOSSOS QUERIDOS MESTRES.

a minha prefessora do primariono colegio sao vicente de paula,

a irma ISABEL, faleceu com 100 an0s de idade,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 29/01/2014

Benedita, também tenho alguns professores vivos e que me deram aulas no ginásio. Uma infelizmente faleceu no final de dezembro.Muito bom recordar nossos mestres com tanto carinho. Parabéns e um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
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