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Categoria - Outras histórias Colegas de trabalho Autor(a): Luzia Helena Junqueira - Conheça esse autor
História publicada em 31/01/2014
Minha história começou em 1959, em uma fábrica de bolsas no Brás. Verdade, eu contava 13 anos, sem poder continuar os estudos (que se não sou frustrada, sinto não ter continuado a estudar); ainda trago comigo tantas boas lembranças do convívio com meninas que, como eu, foram buscar emprego. 
 
Sabíamos muito pouco, mas éramos agradecidas por ter patrões nos dando chance para tocar nossas vidas. Nâo passávamos de dez garotas, conhecíamos suas famílias, ou melhor, acabávamos fazendo parte delas. Tínhamos o mesmo modo de educação. Falávamos dos namoricos, mas com cuidado para nossos pais não saberem, afinal, nem 15 anos nós tínhamos. 
 
Só sei que foi um tempo que marcou minha vida, ainda hoje falo com a Marli e ela traz notícias do resto do grupo. Só a Selda vive com um problema sério de saúde, as outras, graças a Deus, estão ótimas, assim como seus esposos e filhos, e agora os netos também.
 
Me casei e saí da fábrica quando esperava meu primeiro filho. E assim aconteceu com minhas amigas. Hoje, depois de 47 anos, nem vi o tempo passar; lembro de nossos papos de meninas e tenho que confessar: foi bom demais. Meus patrões foram pessoas dignas, faziam o possível para ajudar nas dificuldades, eram muitas, morávamos em bairros distantes, comíamos a nossa marmita com um certo conforto. Porque meus patrões ficavam atentos aos nossos pedidos. 
 
Faço desta história minha homenagem as amigas, aos meus patrões, e a pessoas como eu, batalhadores, sem ter medo ou preconceito. Sou grata a tudo que ocorreu na minha vida. Não estudei como queria, mas não fez falta, até hoje faço o que aprendi na fábrica, o meu lazer; é isso mesmo, faço minhas bolsas e passo boa parte dos meus dias costurando peças de artesanato, acho o máximo. Enfim, esta é uma história de vida bem vivida!
 
E-mail: luziahelena030746@gmail.com
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Publicado em 05/04/2014

Que lindo Luzia,gostei muito.

Abraço

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 03/02/2014

Luzia, seu belo relato é um testemunho de que nem sempre a escolaridade, sempre necessária, é o único meio de nossa realização. Cmo vc, eu também tive que abandonar as escolas pra poder trabalhar. Pelo seu texto, acredito ser desnecessário um período de escolaridade. Parabéns, Helena.

Modesto.

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 03/02/2014

Que história bonita! A riqueza da sua alma está toda visível nas suas palavras. Parabéns!

Enviado por Neide Gaudenci de Sá - neidegsa@gmail.com
Publicado em 03/02/2014

Luzia, viver é simples, a gente é que complica. Veja você, não complicou é é feliz. que seja para sempre.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 01/02/2014

Luzia, cada um tem sua historia e a sua é muito bonita, trabalhando com amor e honestidade. Não estudou , mas gerou um fruto bom para sua vida futura. Parabéns pra você e pra linda homenagem ao seu grupo de amigas. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 31/01/2014

A sua história é parecida com a da mamãe, fora os namoricos. Já saímos do interior, ela já era casada e com quatro filhos. Mas o trabalho, as colegas, os patrões, bairro distante e as marmitas foram as mesmas. Parabéns e um forte abraço ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 31/01/2014

Luzia, que lindo! Tenha orgulho mesmo, garota. Trabalhar cedo era - e é, para mim - sinônimo de perseverança,dignidade, amor próprio e busca de soluções, de independência. Seja mesmo muito feliz, assim como suas colegas. Um brinde a todas. Um beijo, querida.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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