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Categoria - Outras histórias Nostalgias Autor(a): Modesto Laruccia - Conheça esse autor
História publicada em 14/02/2014
Anos de 1938 a 1941, início da Segunda Guerra Mundial, meus primeiros contatos com as atrocidades na Europa. Na escola Romão Puigari, localizada no central bairro do Brás, na Av. Rangel Pestana, 1.500 metros da Praça da Sé, centro de São Paulo; lembro bem, além dos gibis (que eu lia), tínhamos um livro sobre história universal em que, entre tópicos históricos dos países, o autor, em desenhos rústicos, mas bem acabados, apresentava por meio destes esboços, pelo menos o que ele, o desenhista, imaginava, as características físicas do perfil de cada cidadão, acompanhando o texto correspondente. 
 
Textos bem resumidos, é claro, pois se destinavam ao ensino básico, na época, denominado escola de grupo. Os desenhos, elaborados em traços simples e diretos, em uma visão rápida, tinha-se noção da relação com o texto. Sem entrar em demasiados detalhes, as divisões eram por continentes. Aparecia um busto de olhos puxados: asiáticos, um rosto moreno: sul americano, um perfil bem definido de um negro: africano e assim por diante. Virando as páginas, deparei-me com um perfil de um homem barbudo, traços rústicos: europeu. A imagem me deixou um tanto, ou quanto, preocupado. 
 
Meu pai, tios e outros parentes e amigos, todos italianos, europeus, naturalmente, nenhum deles usava barba. Deduzi que os que estavam no Brasil já eram civilizados e os do livro simplesmente viviam ainda em estado de civilização bem atrasada, pobretões, o ilustrador se baseou pelos que ainda viviam lá e os que estavam no Brasil já estavam em um estágio de civilização bem mais adiantada (sonho infantil).
 
Tudo isso para chegar ao ponto da minha nostalgia, ouvindo os papos em casa, meu pai lendo jornais italianos (Fanfula) para os amigos (a maioria analfabetos), fui revendo meus conceitos sobre a guerra. Os inimigos são os alemães (Hitler), italianos (Mussolini) e japoneses (Hirohito), o famoso “eixo”, apontados em todos os jornais, revistas, gibis e filmes que lia e assistia. Os grandes heróis, os americanos, principalmente Capitão América, Príncipe Submarino, Tocha Humana, Batman, Super Homem etc. Meu pai tinha no Mussolini um grande estadista (saiu da Itália com 11 anos) e meus tios estavam fora desta contenda, não usavam barba!
 
Quando um casamento, no seio da família acontecia, a primeira preocupação era o presente a ser oferecido. Se o parente era o noivo, deveria ser algo de uso pessoal, como relógio, caneta, alfinete de gravata, porta-notas com iniciais gravadas em ouro etc. Se fosse a noiva, uma joia, roupas de elaboração esmerada, lençóis bordados a mão, colcha ou a famosa bacia com jarro porcelanizada, para uso íntimo no aposento dos noivos.
 
Para comprar o que ficara determinado pelas conversas mantidas com meu pai e, mediante a decisão, minha mãe se preparava, me escolhia para companhia e eu, todo alegre, agarrado nas mãos de minha querida mãe, Felícia, sabia que no caminho tinha pipocas ou amendoim, até mesmo chocolate. Aí começa minha nostalgia... (Parte 1).
 
E-mail: modesto.laruccia@hotmail.com
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Publicado em 20/02/2014

Modesto, alguém já disse que "Recordar é Viver", assim vamos fechar os olhos e reviver os bons momentos de nossa existência ainda que isso nos traga momentos de nostalgia, vou esperar a parte 2, abraços, Nelinho.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 19/02/2014

Recordar é viver...

Eu ontem sonhei com você!

Ainda bem que podemos recordar passagens boas de nossas vidas e aprender com os momentos difíceis.

Abraços.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 18/02/2014

Estas recordações começaram no fundo do Baú,vou aguardar as próximas para saber mais...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 18/02/2014

Caro Modesto, eis aí novamente, as suas brilhantes e nostálgicas histórias, muito bem produzidas por você, através da longa vivência e experiência do cotidiano, um emérito mestre da escrita. Parabéns Modesto. Ficamos aguardando a continuação do seu magnifico trabalho. Um abraço afetuoso do Grassi

Enviado por Roberto Grassi - jr_grassi@yahoo.com.br
Publicado em 17/02/2014

Amico mio. Il mio nono era oriundo. Mas durante a guerra ele sofreu um pouco por causa de sua origem, e ainda assim morreu bendizendo este país.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 16/02/2014

Modesto, eu adoro recordar o passado são sempre historias com muito conteúdo e mostrando como experimentávamos a vida, nossos gostos, nossa educação.Estou no aguardo da parte 2, beijos pra vocês.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 14/02/2014

Amici Mosdesto

Permita-me chama-lo assim,pois pareço mais jovem assim como o sr.tratando-o assim.

Minha vó,numa dessas histórias de presente de casamento fez uma colcha para minha noiva,aquelas "coisas dos portugueses,italianos,europeus em geral,em vesperas de casorios",não casamos,ela morreu,não até hoje com quem ficou a tal colcha,realmente os presentes para os nubentes eram conforme o amici escreveu,um tradição que não existe mais,hoje é tdo. via internet,inclusive confirmando sua presença ou não no casamento.

abs.

Enviado por Vilton Giglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 14/02/2014

eu lembro que tinha 4 nos de idade(1944)levantava as 5 horas da manha

para ficar na fila do pao. na porta da padaria primavera na rua da consolacao, era a segunda guerra mundial.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 14/02/2014

Laruccia, nostalgia, saudade, faz parte de nossas vidas, principalmente quando ela é cheia de motivos,como trabalho, amor, família, amigos, enfim faz parte de nossa vida, parabéns ,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 14/02/2014

Fico muito feliz, meu querido Modesto,ao ler suas memórias, sempre tão ricas e com detalhes preciosos, com alma. O sr.consegue transcrever emoções com uma facilidade ímpar, comovendo sempre.

Estou aqui, prontíssima para ler a parte 2. Escreva logo, meu caro, que é difícil conter a emoção, afinal, tenho minha origem na Itália e conheço bem esse tipo de conversa. mas a minha vó detestava o Mussolini.

Parabéns, mio amico. Lindo texto. Receba o meu abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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