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Categoria - Outras histórias Saudades Autor(a): José Aureliano Oliveira - Conheça esse autor
História publicada em 25/02/2014
Saudades da época em que chegamos em Sampa na década de 50, vindos do interior, indo morar no Bairro do Tatuapé, no comecinho da Rua Tuiuti, perto das margens do Rio Tietê. A casa ficava em um cortiço, sendo a segunda de um total de seis, tendo na frente uma Tinturaria. Apenas quatro cômodos, mas confortável, afinal, pelo tempo vivido lá nos abrigou das chuvas, e no frio ela era quentinha. 
 
Saudades dos primeiros amigos da rua, sendo um deles o José Roberto onde passávamos as tardes brincando após as aulas. Foi o primeiro a ter uma televisão, fazendo questão que eu e meu irmão caçula, o Paulo, assistíssemos com ele às sessões Zig-Zag e sessão Zaz-Traz, só com desenhos da Disney. 
 
Aos domingos à tarde o Circo do Arrelia e a noitinha a Grande Gincana Kibon com o Vicente Leporace. Saudades dos jogos de rua, onde o gol era a porta de entrada da Chácara Matarazzo, onde fica hoje a entrada do Parque Piqueri. Saudades da Fábrica Soperba lá da Rua Tuiuti, com sua enorme chaminé e a sua sirene que, ao soar, ecoava por todo o bairro, informando o horário de entrada de seus operários. 
 
Saudade dos festivais no Campo do Grêmio do Porto, que tinha jogos o dia todo (geralmente aos domingos) e no final ficava com a taça o time que mais vitórias conquistasse. A saudade da Tuiuti ficou na memória e mudamos para a Rua Felipe Camarão. Nessa casa já tinha banheiro com chuveiro e a mamãe aposentou a “bacia onde tomávamos banho”. Ufa... Saudades da dona Geralda; era uma mulher grandalhona uma simpatia de mulher, que era adorada por todos e a sua pensão ficava em frente a nossa casa. Nas festas juninas era ela quem preparava a fogueira em frente a sua pensão e cuidava do quentão, pinhão, batata doce e da pipoca. 
 
O Manuel era quem fazia os balões, um mais lindo que o outro. Eu gostava do que tinha três bocas; era enorme. Ai veio a saudade dos novos amigos da Felipe. O Guido que tocava acordeom, o Piteira que era goleiro do XI Garotos, Vianei Pinheiro que namorava a Sandrinha, e muitos outros. Saudades das matinês do Cine São Luiz, que ficava no final da Felipe com a Celso Garcia.
 
Entrávamos às 14h e saíamos às 18h. A sesão tinha dois filmes e um seriado. Saudades do moleque de rua que eu era. “Se você é homem cuspa aqui”! “Cuspa você seu valentão”. Na nossa idade a única responsabilidade era ir ao Grupo Escolar estudar e fazer as lições de casa. E lembro com carinho do nosso compositor “Luiz Vieira”, que cantava: Saudade bichinha danada que em mim fez morada e não quer se mudar...
 
E-mail: joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
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Publicado em 06/03/2014

É tanta saudade que até chega a doer.

Parabéns!

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 02/03/2014

José,é muito bom lembrar o lugar em que crescemos, realmente bate uma imensa saudade.Moro aqui no Tatuapé e hoje em dia tudo se encontra diferente.Seu texto me fez lembrar meu tempo no bairro da Penha. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 26/02/2014

José, eu não sinto saudades mas adoro relembrar essa época gostosa de se viver em São Paulo,mas como tudo tem seu tempo, acredito que a meninada de hoje que vive uma realidade bem diferente da nossa, também no futuro sentiram muita dessa minha felicidade e da sua saudades dos dias vividos por eles nesses nossos dias de hoje que serão o ontem deles. Abraços e Parabéns .

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 25/02/2014

José, saudade é uma dor que a gente se acostuma sentir. Se não me engano o seu coração é corintiano, como o meu e do Leporace. Eu o conheci quando criança, sabe aonde? No parque São Jorge.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

José Aureliano seu texto é apropriado para o site SPMC, lembranças da sua rua, dos vizinhos e dos amigos de infância. Quem não teve o mesmo encanto de conhecer novas pessoas, novos mundos, cidades...Foi por ai que em 67 me mandei pra São Paulo, onde conheci o Brás, e a procura de alguma moça com quem namorar. E sabes que encontrei? Mas ai é outra historia, que noutra vez conto tá. Parabénnnnnns!rs.

Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

José, essas saudades ficam cravadas na nossa alma. Graças a Deus elas existem! Podemos reviver a construção da nossa história com orgulho e muita alegria. Os rostos, os lugares, as falas não saem mesmo do nosso destino. Parabéns. Como sempre, um texto impecável. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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