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Categoria - Outras histórias Profissão: do lar Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 19/02/2014
 
Ainda existem algumas mães com essa profissão, que prevaleceu durante muitas décadas em nossas famílias, nossa economia; toda vez que íamos preencher uma ficha de emprego ou tirar um documento qualquer vinha a pergunta: - Qual a profissão dos pais? A maioria dos casos a resposta da profissão da mãe era sempre: “do lar”, tinha uns que ainda diziam minha mãe não faz nada, mas o entrevistador com sua sapiência ou malícia respondia: - Como assim? Não faz nada! E vinha o sermão e a gente ficava espantado, realmente a nossa mãe trabalhava muito, só não era remunerada, registrada financeiramente, mas tinha o principal: o amor dos filhos e do marido.
 
Hoje, muitas delas ainda estão vivas e com idades avançadas, muitas já foram para a eternidade e muitas estão por aí aos cuidados dos filhos e netos e outras em asilos, com certeza muitas delas sem aposentadoria, pois não recolhiam a previdência social; bem diferente dos dias atuais onde a maioria recolhe a contribuição previdencial como empregada doméstica, autônoma, estudante, desempregado, só precisa criar um título.
 
Muitas dessas pessoas idosas ainda são do tempo que foi criado o INSS (os IAPs na época), pelo governo de Getúlio Vargas, e como tudo que é novidade muitos não acreditavam que era coisa séria, pagar durante trinta anos (para as mulheres) e depois receber o dinheiro de volta mensalmente. Aqui em casa mesmo meus pais contavam que muitos amigos e parentes que tinham a profissão liberal como pedreiro, carpinteiro e outros não admitiam pagar essa parcela, mesmo os empregados registrados que eram obrigados a recolher quando o desconto vinha no holerite, ficavam bravos, achavam um roubo, até acostumarem com a ideia, por isso ainda vemos muitas pessoas abandonadas pela cidade de São Paulo.
 
Principalmente após as décadas de 1990, praticamente não há mais essa “profissão do lar”, toda mulher de qualquer nível ao declarar alguma coisa que faça como empregada elas vão dizer algo como: sou costureira, cozinheira, comerciante, pajem, faxineira, artesã, “cuidadoras” de idosos, sem contar com as mulheres formadas com profissões tradicionais e regulamentadas em empresas nacionais e internacionais.
 
Uma metamorfose que poucos comentam sobre a falta de emprego no mercado brasileiro, coincidência ou não, na crise de fechamento das indústrias brasileiras na época do governo Collor, início dos anos 1990, houve também a grande migração feminina para o mercado de trabalho, principalmente pelo desemprego do cônjuge e isso foi se alastrando e o mercado aceitou a mulher com salário muito mais baixo que o do homem e na mesma profissão ou similar e com a vantagem da mulher ser mais dedicada, ter mais atenção, mais respeito e não faltar nas segundas-feiras, e isso concretizou essa nova mão de obra.
 
Isso se alastrou para todas as mulheres e as pesquisas de opinião sobre desemprego não prestou a atenção, pois a falta de emprego era encarada só para os homens e esqueceram que a mulher estava dirigindo ônibus, ônibus escolar, táxi, gari, operando máquinas operatrizes, só não vi ainda mulher coveiro (a), para resumir o assunto.
 
Podia se notar nesse período os bares lotados todos os dias da semana, praças, jardins e muitos com jornais nas mãos, principalmente o amarelinho, a procura de uma colocação, quando, principalmente, os trabalhadores de funções mais simples não conseguiram voltar mais ao mercado de trabalho com carteira assinada; ainda mais com a liberação da importação de máquinas que trabalham sozinhas e a contratação de mulheres para esse tipo de trabalho.
 
A partir do final do século XX e início do atual é claro e evidente o domínio da mulher em diversas atividades, na indústria, comércio, terceiro setor, faculdades e por incrível e lamentável que pareça no quarto setor, e sabemos que, dando oportunidade para o chamado sexo fraco, ela se torna igual ou pior que o homem quando quer fazer o mal, assim como fazer o bem, a igualdade praticamente está estabelecida.
 
A única diferença nesse começo de século é que ao invés da mulher do lar temos a mulher escrava em alguns casos, que parece vir crescendo muito, principalmente no NE, onde ela apanha, não pode sair de casa e tem medo de usar a lei Maria da Penha, por ciúmes do cônjuge, tanto pelo poder da posse da mulher como subjugado financeiramente, ou quem sabe ignorância e estupidez mesmo.
 
E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 21/02/2014

Ainda tem muitas mulheres que apanham dos maridos,infelizmente.

A mulher tem que estudar,ter profissão para não depender do marido.

Sem profissão e com uma turma de filhos o jeito é submeter aos maus tratos.

Parabéns.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 21/02/2014

Já se falou muito sobre o valor da lição que a mulher transmite a todos o exemplo do trabalho, maternal, técnico e empresarial. Um valoroso e excelente tratado de pesquisa sobre o assunto. Do Estan, não se poderia esperar outra coisa. Um resultado nobre que deve ser preservado como uma aula de valores sociáis. Parabéns, Estan.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 20/02/2014

Estanislau, hoje a grande maioria das mulheres trabalham fora para ajudar no orçamento da casa, muitas delas ainda são "do lar" quando retornam à casa no final de mais uma jornada de trabalho fóra, preparam o jantar, cuidam do marido e dos filhos e logo começam a se preocupar com o dia seguinte, parabéns pelo texto, abraços.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 20/02/2014

Pois é, Estanis, a gente caminhou muito e a luta não foi pouca mesmo. No meu ponto de vista, apesar de imensas dificuldades, somos imensamente mais felizes hoje,porque temos sonhos (misturados a um cansado incrível, mas conseguimos correr atrás dos nossos sonhos, antes impensáveis). Saiu uma matéria interessante meses atrás sobre os dez anos de bolsa família. Por conta do benefício, um número enorme de mulheres nordestinas colocou o marido prá correr rapidinho... e as mesmas passaram a assumir o lar por completo, longe dos maridos considerados violentos. Parabéns pelo texto e um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 20/02/2014

Adorei este texto abordado por voce e tão esuqecido pela sociedade...

Eu fui do lar e só hoje vejo a benção que foi criar meus filhos com garra de leoa,levar e buscar na escola vistoriar as lições de casa,tomar questionário,taboadas deixar brincar na rua sob vigilância,fazer cumprir horários de tomar banho estudar e dormir,levar em cursos como,inglês, natação,danças, música,judô etc...etc...e assim por diante... Com esta batalha diária,criei e estudei meus cinco filhos hoje todos casados e com filhos,só me dão prazer em vê-los cada um com sua casa seu emprego e sua profissão.

Talvez se eu não estivesse presente 24hs ensinando e administrando tudo

o resultado não seria este.Tenho muita preocupação de mães que trabalham integral e nem ao menos sabem ou acompanham o que fazem os filhos Mas confesso que tinha uma imensa inveja das mães que saiam cedo e só voltavam a noite lindas,arrumadas e pensando no dia seguinte.Foi publicado "Simplesmente Dona de Casa" em 12/11/2012 um relato meu sobre esta cruél e premiada escolha de ser DO LAR.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 20/02/2014

lembro da minha querida MÄE,lavando as roupas da casa no tangue no fundo do quintal,(na quela epoca ninguem tinha maquina de lavar)

trabalhava muito em casa, e cuidava do marido e 3 filhos,nunca reclamou de nada,sinto um remorso muito grande de nao poder dar uma casa propia era o sonho dela, sempre moramos de aluguel.

ME PERDOA MINHA SANTA MAE, TENHO CERTEZA QUE ESTA COM DEUS,AMEM.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 20/02/2014

Texto rico o seu Estan, estou me surpreendendo com as historias do site ultimamente e você teve o privilégio de tocar em pontos nevrálgico e o assunto sobre o lar, não termina ai, tem muita manga pra torcer ainda. Parabéns portanto e repito me impressionei dessa vez com você. Parabéns amigo!

Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 19/02/2014

Verdade, Estan.

"Do lar" foi minha mãe, sempre cuidando para que tudo saisse bem para os seus, fazendo o seu melhor, mas ser do lar envolve várias profissãoes como : cozinheira, arrumadeira, costureira, enfermeira, lavadeira, professora, educadora, economista e muitas outras mais.

É triste saber que ainda existem aquelas que além de desempenhar seu papel que não é fácil recebem de recompensa a brutalidade.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 19/02/2014

Estanislau, antigamente era assim, as mulheres eram do lar apenas, cuidavam dos afazeres de casa e dos filhos. Com o tempo isso mudou e a mulher passou a trabalhar fora para ajudar no orçamento, isso não quer dizer que ela descuidou dos afazeres de casa, pelo contrário agregou mais trabalho para si. Eu mesmo fui uma delas, além de trabalhar fora, cuidava da casa e das minhas filhas, mas devo isso também ao meu marido que sempre me ajudou em tudo e muito. Muito legal seu texto, um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 19/02/2014

Do lar, naquele tempo, já era ter muito serviço para se fazer. Hoje pode se ter uma casa, mas dar a mesma o sentido de lar parece obra de poucas, todas estão ocupadas em manter-se como parte de uma história dos filhos que são lançados em creches para as mães trabalharem para o sustento do lar. Parabéns pela crônica.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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