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Categoria - Outras histórias As famosas marchinhas carnavalescas Autor(a): Arthur Miranda (Tutu) - Conheça esse autor
História publicada em 25/02/2014
O gostoso em fevereiro era ouvir no Radinho ainda de Galena, fabricados pelo meu velho pai, as primeiras marchinhas de carnaval. Que depois seriam cantadas nos bailinhos dos clubes da Freguesia do Ó e pelo Brasil afora.
 
Na época com sete anos, eu me deliciava todos os anos com Linda e Dircinha Batista, Marlene, Emilinha Borba, Carmélia Alves, Isaurinha Garcia, Dalva de Oliveira, Gilberto e Francisco Alves, Francisco Carlos, Gilberto Milfon, Blecaute, Jorge Goulart, Jorge Veiga e tantos outros; era um desfile de grandes cartazes do rádio e do disco (ainda não havia televisão) e o público só via os artistas indo aos auditórios das rádios ou comprando revistas e fotos dos artistas, que eram vendidas em lojas como os cartões-postais de hoje em dia.
 
Eu adorava ouvir as marchinhas, a maioria até hoje muito lembradas nas programações carnavalescas de nossas emissoras atuais, como prova de que o que é bom dura para sempre e com certeza no Carnaval de 2090, quando a maioria de nós já não estiver nessa vida, os nossos bisnetos ainda ouvirão.
 
“Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar.
Me dá chupeta, me dá chupeta, me dá chupeta pro nenê não chorar”.
Ou:
“Lata d’água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria”...
Ou:
“Chegou o general da banda, eh eh. Chegou o general da banda, eh ah”...
Ou:
“Cadê Zaza, Zaza, Zaza. Saiu dizendo vou ali e volto já”...
Ou:
“Ai, ai brotinho, não cresças meu brotinho, nem murches, por favor, ai ai brotinho eu sou um galho velh,o mas quero seu amor”.
Ou:
“Guardo ainda bem guardada a serpentina, que ela jogou. Ela era uma linda colombina, e eu um pobre Pierrot”...
Ou:
“O meu coração não me engana, eu quero uma sereia de Copacabana”...
Ou:
“O que há com a sua baratinha, que não quer funcionar. Bota esse motor em movimento menina e vamos passear”...
Ou:
“A Gasolina já chegou, ô, ô, ô, não ouço mais o, por favor, do condutor, Adeus o banco do bonde do Caju, Tu és barato, mas machuca pra chuchu”...
Ou:
“Essa que no momento dessas nossas secas por falta de chuvas, é bem oportuna.
Tomara que chova três dias sem parar. Tomara que chova três dias sem parar”...
 
 
Em 1972 e 1973, já no apagar das luzes das marchinhas famosas, tive a oportunidade de gravar para o carnaval quatro músicas, duas a cada ano. A melhorzinha foi essa de autoria do Archimedes Messina, que falava sobre o famigerado “sugismundo”. Na época havia uma campanha contra a sujeira deixada pelo povo nas ruas de nossa querida São Paulo:
 
“A marcha do sugismundo
Se você não der um jeito eu não fico mais aqui.
Tira o sugismundo daqui (bis)
 
Esse cara sujo, ‘ta’ sujando todo mundo.
É um lixo, é um lixo, esse tal de sugismundo.
Tire esse lixo daqui”.
 
Declamada - Aprendeu sugismundo, povo desenvolvido é um povo limpo.
 
Pelo lixo que até hoje é descartado em nossas ruas e rios, acredito que assim como muitas outras marchinhas aqui nesse texto citadas, a mesma esteja perfeitamente atualizada, infelizmente.
 
E-mail: 27.miranda@gmail.com
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Publicado em 04/04/2014

Sou de Santos. Quando "Você pensa que cachaça é água,/Cachaça não é água não;/Cachaça vem do alambique/E água vem do ribeirão" fez sucesso, os santistas criaram uma versão própria. Em minha cidade, as pingas eram produzidas no bairro Nova Cintra e a água vinha da vizinha Cubatão. Então, cantávamos: "Você pensa que cachaça é água,/Cachaça não é água não;/Cachaça vem de Nova Cintra/E água vem do Cubatão".

Nelson Coslovsky nelcoslov@hotmail.com

Enviado por Nelson Coslovsky - nelcoslov@hotmail.com
Publicado em 11/03/2014

Tutu. já não se faz marchinhas como antigamente, essa do Sugismundo é bem atual pois a cidade de São Paulo está imunda, poderia até servir como fundo musical em uma mensagem dirigida aos porcalhões que sujam a nossa cidade, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 03/03/2014

Arthur, como não aprender estas marchinhas que nossos pais tanto gostavam. Crescemos com essas marchinhas e até hoje são cantadas na família quando reunida, que saudades!Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 28/02/2014

Tutu, suas recordações são as minhas. Não sou artista como vc porem, tenho ouvidos e memória pra guardar essas preciosidades por toda a vida. Bem coligidas, as letras das marchinhas tem sabor de "quero mais".

Bem bolada sua narrativa, Arthur, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 27/02/2014

Tutu, "cantei" essas marchinhas a plenos pulmões.Garanto que "me esbaldei às pampas". Lembro, ainda de uma das marchinhas de grande sucesso:...Eu sou o pirata da perna-de-pau, do olho de vidro, da cara de mau...

Lembra? Adorei recordar.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 25/02/2014

Essas marchinhas são sempre lembradas pelo povo, parece que música boa passa pelo tempo como se ele não existisse. Quanto ao Sugismundo parece que aprendemos pouco ou quase nada e fazemos o lixo ser jogado em vias públicas como um mau exemplo, sem contar a Lei do Gerson de levar vantagem em tudo. Parabéns pela memória deste tempo das marchinhas.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 25/02/2014

Arthur, você citou pérolas dos nossos antigos carnavais. folgo em saber que você fez parte dele. lembro-me do Sugismundo.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Arthur, as marchinhas estão gravadas em nosso coração fulião para sempre. Dos programas de auditório, quando me considerei gente, tinha lá meus 12 anos ou mais...eu fui ver o tal programa de auditório. Achei o máximo e os devaneios vieram em decorrência, de ser também um 'artista' eu tinha lá meus sonhos.rs.

Enviado por Clesio de Luca - clesiodeluca@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Arthur Eu tenho gravado no You Tube uma seleçâo(Popurri) de marchinhas carnavalescas da nossa época. Pelo menos uma vez por semana entro lá. Faz parte da minha nostalgia como diz nosso colega Laruccia. Abraços ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 25/02/2014

Ótimo, Arthur. De vez em quando eu danço algumas marchinhas aqui em casa mesmo. E quem não sabe as boas marchinhas está perdendo muito da história do samba no Brasil. Parabéns. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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