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Categoria - Paisagens e lugares Santo Amaro: eixo histórico dos transportes, trem, bonde e metrô, no mesmo itinerário Autor(a): Estanislau Rybczynski - Conheça esse autor
História publicada em 28/02/2014
No final do século XIX, a vila de Santo Amaro tornou-se a grande fornecedora de produtos agrícolas da cidade de São Paulo, todos os gêneros de primeira necessidade: mandioca, milho, feijão, arroz, batatas eram comprados dos santamarenses; tínhamos 640 km² de terras férteis, numerosas propriedades rurais dedicavam-se à criação de gado e aves domésticas, tropas de burro e carro de boi levavam para a capital as madeiras, carvão e alimentos em geral, iam vendê-las no mercado central de São Paulo. 
 
Esse transporte entre as vilas de São Paulo e Santo Amaro... Com o passar do tempo o trecho passou a ser conhecido como: "O Caminho do Carro de boi de Santo Amaro” e assim o foi, até 1883.
 
Este é um dos motivos que levaram alguns engenheiros, tendo à frente Alberto Kulhmann, a projetarem uma extensa ferrovia que, partindo do Centro e Vila Mariana, penetrasse no sul da Província de São Paulo, que foi Santo Amaro.
 
O trem iria para Santo Amaro e a linha teria, ao todo, 20 quilômetros aproximadamente de extensão, lucro esperado viria do transporte de madeiras e gêneros alimentícios; o engenheiro Kulhmann requereu e obteve privilégio para este empreendimento, por 25 anos; em 1884, o presidente da Província mandou um relatório à Assembleia Provincial, sobre a estrada em construção, a linha de Carris de Ferro de São Paulo à vila de Santo Amaro, parte desta capital, na Rua Liberdade, esquina da São Joaquim, e segue pela Estrada Vergueiro que conduz à vila de Santo Amaro.
 
Quando completamente terminada, a linha tinha 15 quilômetros e em 14 de março de 1886 o Conselheiro João Alfredo, presidente da Província de São Paulo, presidiu a cerimônia de inauguração da nova estrada de ferro, o trenzinho a vapor saiu da estação da Rua São Joaquim de manhã com a presença do Imperador D. Pedro II, que veio até Santo Amaro na inauguração dessa linha. 
 
O itinerário seguia pelas atuais ruas Vergueiro, Domingos de Morais, Avenida Jabaquara, até o local onde está a Igreja de São Judas Tadeu, ali ficava a estação "do encontro", onde os trenzinhos faziam um reabastecimento de combustível e água e seguia depois por vastos campos, onde hoje estão os bairros do Aeroporto e Campo Belo, e alcançavam o Brooklin Paulista; ali havia curvas extremamente fechadas e o local era chamado "Volta Redonda", próximo à parada Piraquara, seguia depois pela atual Chácara Flora, e entrava em Santo Amaro por uma curva que passava pelas atuais ruas São José e Nove de Julho, onde o ponto de carga e descarga era na Praça Santa Cruz, e retorno no largo Treze de Maio, levando uma 1 hora e 30 minutos de percurso, onde está em frente a Escola Linneu Prestes e onde se encontra um totem em homenagem a esse evento, que por sinal como quase toda obra está abandonado e pichado.
 
De Vila Mariana prolongava-se a estradazinha de Santo Amaro, por 15 quilômetros através de planície árida e despida, onde só quase havia vegetação rasteira, desértica. Santo Amaro, humilde e risonho arraial de casinhas baixas, pintadas de cores vivas e quase todas da mesma altura, construção de pau a pique, com poucas ruas largas de terra batida e duas grandes praças, parecendo aldeias. Vivia como que segregada do mundo, mas a abertura da linha de trens a vapor transformou o local em passeio muito em moda naqueles dias festivos, aonde numerosas pessoas, desejosas de passeios e lazer com esse transporte fácil e moderno.
 
Depois de substituídos os trens em 1913 pelos bondes, a Cia. Light conservou os mesmos preços até o ano de 1947, porém aumentou as quantidades de paradas. A Cia. Carris de Ferro de São Paulo – Santo Amaro duraria até o ano de 1900, quando em liquidação forçada seu acervo foi arrematado em leilão pela The São Paulo Tramway Light and Power, que continuou explorando-a até 1913, quando a substituiu pelo bonde.
 
No ano de 1913, essa empresa canadense do grupo Brascan, Brasil – Canadá instala serviços de luz elétrica, força e de bondes; em julho do mesmo ano inaugura a primeira linha de bonde de São Paulo a Santo Amaro, a linha do bonde diferia do traçado da estrada de ferro, saía da Sé e seguia pela Liberdade, Vergueiro e Domingos de Morais, descia a Av. Rodrigues Alves e ia até Santo Amaro.
 
O bonde passaria a ser o principal elemento de ligação entre a capital e Santo Amaro, ao longo de seu trajeto, chácaras e sítios foram loteados e a região sofre rápida urbanização, dando origem a vários bairros na década de 1960; com a política de transporte orientada para o automóvel, o bonde acabava por ser extinto em 27 de março de 1968, quarta-feira à noite seria feita a última viagem do bonde do Instituo biológico a Santo Amaro, com um comboio de doze bondes, onde no primeiro vinha o governador do Estado Abreu Sodré e o prefeito da cidade Faria Lima.
 
A partir de 1968, os trilhos do bonde foram aterrados na maioria do trajeto e em poucos lugares foram retirados, alargaram as ruas e os ônibus começaram a circular pelo mesmo trajeto do trem e do bonde e com muito mais paradas e agora a partir da década de 2010 recomeça a colocação de trilhos praticamente no mesmo itinerário do trem e do bonde, é a linha-5 do Metropolitano entre Capão Redondo até Chácara Klabin, passando antes e integrando a linha-1 Azul do Metrô, que iniciou em 2005 e tem previsão de ficar pronta na sua totalidade em 2016.
 

 

 

 

 

 

E-mail: estan_tec@hotmail.com
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Publicado em 08/03/2014

Estan,Santo Amaqro é tdo. de Bom!

Belo Texto!

Um abraço.

Enviado por Vilton Giglio - viltongiglio25@gmail.com
Publicado em 07/03/2014

Parabéns, Estanis. Mais história de Santo Amaro, que muito nos enriquecem. Texto que prende a atenção até o final. Parabéns. Receba o meu abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 07/03/2014

Oi, Estan, retardei minhas cosiderações sobre o digno trabalho seu a respeito de Sto. Amaro e sua vertentes desde o século XIX, por motivos de encargos domiciliares. Minucioso e bem elaborado texto sobre a matéria, enriquecida por detalhes curiosos, de muita importância. Parabéns, Estan e muito obrigado pelos votos de saúde para o meu filho Maurício, ele já está bem melhor.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 01/03/2014

Estanislau, ainda bem que aproveitaram o mesmo itinerário, sinal que foi bem escolhido anteriormente e agora ressurge dentro de uma modernidade, melhorando o nosso transporte.Parabéns pelo texto contando um pouco mais da historia de Santo Amaro.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 28/02/2014

Vide para complemento desta história, somada desde o carro de boi ao metrô em Santo Amaro:

Transporte sobre trilhos em Santo Amaro e a Malha Viária

http://carlosfatorelli27013.blogspot.com.br/2012/04/transporte-sobre-trilhos-em-santo-amaro.html

Viagem de São Paulo a Santo Amaro

http://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/2865/Viagem%2Bde%2BSao%2BPaulo%2Ba%2BSanto%2BAmaro

Santo Amaro: do carro de boi ao metrô de São Paulo

http://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/4509/Santo%2BAmaro%253A%2Bdo%2Bcarro%2Bde%2Bboi%2Bao%2Bmetro%2Bde%2BSao%2BPaulo

Santo Amaro Interior Urbano- PDF

http://www.conhecendoazonasulsp.com.br/PDF/@SANTO%20AMARO,%20INTERIOR%20URBANO.pdf

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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