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Categoria - Outras histórias A Páscoa no Braz Autor(a): Modesto Laruccia - Conheça esse autor
História publicada em 01/04/2014
Páscoa... Está chegando a Páscoa, 40 dias de Quaresma, após o Carnaval... Semana Santa... “Pasquéla”, na segunda-feira... Quantas recordações, quantas lembranças do Braz, na época, bairro da megalópoles São Paulo (hoje, centro). Rua Assumpção, do Lucas, Benjamim de Oliveira, Monsenhor Andrade, Monsenhor Anacleto, Fernandes Silva, Américo Brasiliense, (usurpada pelo bairro do Brooklin), Alvarez de Azevedo (hoje, Polignano a Mare), Palácio das Indústrias, do Gasômetro... E o Mercado Municipal municiando toda a população de carnes, frutas, verduras, queijos, frios, peixes, cabritos, leitões, coelhos, frangos, patos, enfim: tudo para festejar a Páscoa. Fim das sextas-feiras sem carne, abstinência e na Semana Santa, jejum na sexta-feira. Assim era o ritual da colônia baresa, os polignaneses, oriundos de Polignano a Mare, província de Bari, sul da Itália, como eram meus pais e a grande maioria dos moradores das ruas citadas. Isto sem falar da Igreja de São Vito e a do Bom Jesus do Braz.
 
Tempos idos em um formidável bairro internacional, onde se concentravam, além da barezada, grande parte da colônia portuguesa, libanesa, síria, nipônica e nordestina; todos em uma verdadeira reunião de membros dos principais países do mundo e dos estados brasileiros.
 
Ir ao mercadão, então, era um festão. Que sortimento de alimentos, já naquela época, se encontrava, com bastante fartura, dando sinais, nos anos 40 e 50 em diante, como era e se tornaria o mercado mais popular do mundo. No sábado de Aleluia eu e meus companheiros, munidos de pedaços de pau ou ferro, ao meio-dia, começávamos a malhação do Judas, brandindo os pôsteres que eram todos de ferro, provocando um barulhão estrondoso por todo o bairro.
 
Já podemos falar do século passado com nostalgia e nos anos depois da guerra, a mesma coisa.
 
Em casa, então, era aquela preparação de guloseimas que dona Felícia começava a movimentar a cozinha, “piccicatela scagdete” (tarale salgada), “ficazza” (pão de batata), richittella (orelhinha), cagtzoune (tortas de cebola e de carne), pizzica dolcci, (torta de ricota com açúcar), cabritos, pernis, pescados e molhos. Sempre na mesma vontade e alegria de poder preparar os pratos típicos pras festividades da Páscoa. E depois, na segunda-feira, com as sobras dos dias anteriores, festejávamos a “pasquela”, que se fazia um piquenique à beira (por favor, não vão rir) do rio Tamanduateí, atrás do Palácio das Indústrias, com todas as mocinhas e garotos da região.
 
Minha mãe, incansável em cuidar dessa data, manda a todos, por intermédio de mim, na forma espiritual, um grande abraço e feliz Páscoa.
 
(antes de sentar pra redigir essa narrativa, fui ao médico e soube que contraí a dengue, que assola nosso bairro Parque Continental e os municípios vizinhos de Osasco e Carapicuíba. Tomem muito cuidado!)
 
Feliz Páscoa a todos e ao pessoal da equipe do SPMC!
 
 
E-mail: modesto.laruccia@hotmail.com
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Publicado em 12/09/2014

Laruccia

alem das piccicatelas salgadas, havia tambem as glaceadas.ou doces.Na verdade, piccicatela é um produto da Pascoa. Na rua assumpção havia uma senhora que fazia umas deliciosas.

Pelo tempo decorrido sei que voce já está recuperado da dengue, né.

ciao

roque vasto

Enviado por Roque Vasto - roquevasto@gmail.com
Publicado em 05/04/2014

e verdade a pascoa no passado era maravilhosa,onde todos os familiares estavam vivos, depois tinha a pascoela, lindos tempos,

MODESTO, eu estou achando que o nosso site não e mais o mesmo,

estão publicando muitos textos sem conteúdo nenhum,

vou tirar umas férias do site,

saudades dos escritores antigos,que sumiran do site,

modesto ótima recuperação, na saúde fica com deus.

FELIZ PASCOA>

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 05/04/2014

Oi Modesto espero que ja estejas bem .Quanto ao seu texto lembro bem desses tempos adoraveis no nosso bairro de outrora. Eu lembro bem das Pascuelas na praia do Jose Menino naquele naquele canto perto do Embare naquelas cabines de aluguel e no local aquelas mesas em volta a gente comia de tudo (de cabrito assado ao leitao)Nos da colonia espanhola tambem faziamos a pascuela , e o que estranhei foi que voce deixou de adicionar os espanhois na lista internacional das colonias do bairro do Braz , e nos vinhamos logo abaixo dos italianos em numero ,tenho certeza que voce esqueceu desse pormenor .Parabens pelo nostalgico texto.Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 04/04/2014

Desejo melhoras Sr Modesto.

Piquenique, é uma delicia,e esse rio antigamente não era poluído com certeza.

Abraço.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 03/04/2014

Tudo muito bom,as comilanças,malhação do judas,até o saudoso pique- nic mas no final voce com dengue !!!Fiquei preocupada!!!Só não vale se aproveitar dos sintomas(que são chatos)e ficar dengoso...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 03/04/2014

Modesto, momentos agradáveis de família e que ficaram registrados em sua memória. Bons tempos de Páscoa e que deixaram marcas em seu coração, com certeza foram bem aproveitados por todos. Modesto se cuide, minha filha mora aí perto e também já pegou dengue, um tristeza. Um grande beijo.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 02/04/2014

É bom recordar com entusiasmo das festas dos bairros; gosto muito destas relações como acontecem nas igrejas que transmite união e congrega todos em um bem comum, como a citação sobre a Páscoa. Já estive na festa de São Vito, também fuii na do Bixiga na Achiropita e também no Revela São Paulo da Vila Guilherme. Parabéns pelo relato, estimo as melhoras e Feliz Páscoa!(nota: a Rua Américo Brasiliense pertence a Chácara Santo Antonio, é um usurpando do outro!!!)

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 02/04/2014

Sr. Mdesto, linda recordação do Braz, lembro-me dos nomes dessas ruas, pois ouvia meus pais comentarem, parabéns, como sempre suas histórias são emocionantes.

Espero que o Sr. esteja melhor da dengue, que não foi privilégio do seu bairro, minha cidade, Campinas, está com uma epidemia,meu filho adquiriu recentemente, é muito preocupamente, pois em abril teremos a gripe se aproximando. Repouso, muito repouso e liquidos. abs

Enviado por Marisa - marisafrediani@gmail.com
Publicado em 02/04/2014

Que delícia, sr. Modesto: celebração - a vitória da vida sobre a morte, do bem sobre o mal e a união da família com uma mesa belíssima e bem farta. Ótimo. Deve mesmo ter sido uma experiência extraordinária e inesquecível. Parabéns para toda a família e uma feliz Páscoa a todos. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 02/04/2014

Laruccia Você está com dengue ou "Dengo" - Quando se está com "Dengo" é porque quer ganhar uns afagos da esposa. (risos) Boa recuperação . Seu texto me deu água na boca apesar de não conhecer a maioria dessas iguarias. Você foi sortudo, que alias até no nome já dizia Dona Felícia ou seja felicidade. Forte abraço ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
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