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Categoria - Personagens Não é fácil mesmo Autor(a): Vera Moratta - Conheça esse autor
História publicada em 10/04/2014
E a vida passa e nós vamos junto. O sol nasce e brilha para todos, mas apenas uns tantos colocam suas energias, sua imaginação e potencial para o reflexo da luz solar.
 
Todas as estações têm os seus encantos, amores e desilusões. Ah! As buscas! Essas são constantes, estão no âmago de cada um. Seja uma busca pela mera sobrevivência, seja para amar o conhecimento e fazer a partilha em ângulos diversos, falas entrecortadas e sorriso às vezes recheado de cinismo capaz de provocar novas e maiores reflexões.
 
E pouco nos preparamos para a partida. É. A partida. O ato de ir ao encontro do Criador. Prefiro chamar de Criadora, porque o amor que vem de Deus - ou Deusa - é feminino, com ternura infinita e de coração sempre pronto para o perdão e o direito à gentileza do recomeço.
 
É muito complicado falar em morte. Não! Morte não. Prefiro falar em férias desse plano. Férias porque, depois de um tempo, acredito no retorno.
 
Mas não é tão simples falar em partida. Porque nos apegamos. O líder espiritual Siddhartha Gautama, o Buda, dizia que a raiz do nosso sofrimento está no apego. Concordo. As ligações sentimentais profundas provocam dores lancinantes quando rompidas. Mas nos apegamos. Seja pela importância que a pessoa deu às coisas da vida, à sua própria, ao conhecimento.
 
E hoje José Wilker resolveu tirar as suas férias. O dia ficou triste! Eu não sei se ele viveu algum tempo em São Paulo, mas ouso dizer que ele tinha tudo a ver com a cidade.
 
Quantos partiram, como ele, de Juazeiro do Norte para o Rio ou São Paulo? Impossível dizer. Quantas tentativas similares, quantas possibilidades perdidas, portas fechadas e tantas por abrir?
 
E quando uma pessoa com essas características vai embora – como trabalhador incansável, estudioso, capaz de abrir possibilidades com um raro talento, culto, eu penso no quanto a nossa responsabilidade aumenta! Aumenta porque as conquistas têm que sobreviver a essas rupturas, a alegria de viver precisa forçar novos brilhos no olhar, apertos de mãos, abraços e finas demonstrações de sinceridade.
 
Vá em paz, José Wilker. E converse muito com todos aqueles queridos e queridas que fizeram, com o conhecimento, estudo e esforço, esse país melhor. Como você fez. Você ensinou muito a algumas gerações. Com crítica, diversão, reflexão, busca pela construção da democracia... Obrigada mesmo. Você soube muito bem fazer a sua parte! Que Deus te ilumine. Sempre!
 
E-mail: vmoratta@terra.com.br
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Publicado em 14/04/2014

Não sei qual foi o êrro,mas meu comentário não saiu...Eu tenho muita pena de partir e deixar aqui meus entes queridos que com certeza vão sofrer muito...Como não tenho certeza de outra vida após esta,gostaria de ficar mais uns bons anos aqui curtindo minha família,meus filhos e meus netos...Mas quando chegar a hora,espero que Deus me leve num piscar de olhos assim como foi o José Wilker.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 14/04/2014

O limiar entre a vida e a morte é um cordão de luz que nos mantém, mas um dia se rompe para buscarmos a eternidade. A fragilidade da existência um dia se rompe, quebra como um cristal fino e delicado e vamos ao encontro da Criação do ser. Nada é tão real quanto o passamento terreno, onde a morte faz parte da vida!

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 13/04/2014

Pelos anos em que vivo longe do Brasil , nao tive oportunidade de assistir muita coisa dele mas lembro bem do Dona Flor e seus Dois Maridos .Era realmente um bom ator , e que Deus o tenha com muita luz e que descance em paz. Parabens pela homenagem a ele Vera . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 13/04/2014

Vera, é difícil mesmo aceitar esta separação e acho que só tempo para amenizar a dor e entender o que aconteceu. Que ele siga em paz e cm certeza não será esquecido.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 11/04/2014

Outra bela crônica, para se reler muitas vezes. Parabéns, professora Vera.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
Publicado em 11/04/2014

Assim como José Wilker, perdi meu querido irmão José Ernesto, em novembro de 2013, que assim como Wilker, nasceu no Ceará, em Fortaleza, mas veio para São Paulo em 53, com sete anos incompletos. "Natal de 1958" postada neste site em 10/04/2014, foi uma homenagem a esse homem que trabalhou tanto, se dedicou tanto, mas na sua morte teve apenas a presença dos familiares, como se nunca tivesse tido amigos, ou talvez não tenha tido mesmo. José Wilker, uma celebridade, teve a visita de anônimos em seu velório, que admiravam o seu trabalho. José Ernesto teve a presença da família, que nos seus oito meses de enfermidade, acamado, lhe deram o carinho e a presença até no momento do adeus, do último suspiro, em que o espírito deixa o corpo e volta para Deus que o deu a o corpo volta ao pó de onde veio.

Enviado por Solange Ernesto da Silva Costa - sscosta@prefeitura.sp.gov.br
Publicado em 11/04/2014

Vera, bela homenagem ao grande ator Jose Wilker e ficou melhor com suas palavras, mas me diga é melhor morrer no mar como dizia o poeta ou morrer dormindo como o ator, parabéns pela crônica,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 11/04/2014

DONA VERA MORATTA, como a sra entrou no meu texto, eu estou no seu texto. NUNCA FUI DESRESPEITOSO COM NINGUEM, TIVE EDUCAÇAO GRAÇAS,A DEUS,

NUNCA FUI ANTIPATICO COM UM COLEGA POR POLITICA.

POR FAVOR< NAO COMENTA MAIS OS MEUS TEXTOS>

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 11/04/2014

É mesmo Vera querida levamos um susto porque ele morreu, mas será o destino de todos nós.

Um abraço

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 11/04/2014

Meu querido Modesto, ainda bem que o sr. voltou. Eu estava sinceramente preocupada e pensando: será que o nosso querido está viajando? Mas estava dengoso mesmo, Que pena ! Espero a sua melhora, fico na torcida, e que logo esteja pronto para novos escritos. Um grande abraço, meu amigo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
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