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Categoria - Outras histórias Quaresma no Tatuapé Autor(a): José Camargo Beira - Conheça esse autor
História publicada em 09/04/2014
Era o ano de 1953, Capela de Nossa Senhora da Conceição, na Praça Silvio Romero, no Tatuapé.
 
Padre Miguel me chamou e disse:
“- Venha ajudar na via sacra, é só acompanhar segurando a vela”.
 
E eu vestido com aquela batina vermelha e bata branca, não entendia, e nunca entendi, aqueles panos roxos cobrindo as enormes imagens dos santos e os “quadrilhos” da via sacra, não.
 
“... pela virgem dolorosa... sua mãe tão piedosa”... 
 
... E seguia a via sacra.
 
Até que chegou a Semana Santa.
 
Eu, no alto da torre tocando o sino, e a procissão do encontro serpenteava a praça com o andor da imagem de Nossa Senhora indo ao encontro da outra, que vinha com a imagem de Jesus Cristo carregando a cruz.
 
Sexta-feira, silêncio total, no rádio só músicas clássicas e religiosas, jejum até o meio-dia, carne nem pensar, e minha mãe nos servindo o pãozinho com aliche e guaraná em pequenas doses.
 
Outros tempos em que a religiosidade era maior do que o comércio de ovos de chocolate.
 
E-mail: josebeira@hotmail.com
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Publicado em 14/04/2014

Era um respeito muito grande...lembro que nem ao menos se varria a casa...A gente sentia um ar de tristeza pairando sobre as famílias...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 13/04/2014

Beira, com todo respeito, mas eu não gostava do quaresma, principalmente daqueles panos roxos nos santos da igreja, uma frieza total. Não via a hora que tudo isso acabava. Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 10/04/2014

José, hoje a coisa está bem diferente, você diz bem, o comércio de ovos supera o sentimento de religiosidade, é uma pena, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 10/04/2014

Durante a Semana Santa, minha avó se quer ligava o rádio.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 10/04/2014

Beira - Como estou contente com a sua volta. E justamente falando sobre o que mais gostamos, lugar onde eu e você fomos criados. Dentro de uma igreja, que alem da nossa religiosidade, trabalhamos, ajudando missa, tocando sino, participando do teatros dos marianos e muita coisa boa que fizemos eu aqui em baixo da linha do trem e você lá em cima na Silvio Romero. O seu irmão o Irineu estava comigo. Forte abraço e bom retorno ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 10/04/2014

Sr. Beira, estou muito feliz pelo seu retorno. Nem acreditei quando li o seu nome! Ótimo! Concordo com o teor do seu texto: a religiosidade era bem maior, mas tinha um porém: o medo. Eu sofri muito com isso, mas hoje, estou em paz com os assuntos da Igreja. Um grande abraço, com as minhas saudades.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 10/04/2014

É uma velha tradição da igreja católica e o motivo principal era para tal orientação era de que não perecia legítimo que os cristãos distraíssem com os Santos a sua devoção, que deve estar fundamentada no Mistério Pascal de Cristo, ou seja na Sua paixão, morte e ressurreição. Mas muita coisa mudou a partir do Vaticano II, e hoje em dia a maioria das igrejas atualizadas com a Santa Sé, não adotam mais essa velha tradição. Resumindo Cobrir as imagens de santos com panos roxos já era. Mesmo porquê as igrejas mais atualizadas já não tem tantas imagens de santos assim em seus templos. Abraços querido Beira faz tempo que eu não contávamos com seus textos por aqui, Seja bem vindo! O bom filho a casa torna.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 10/04/2014

Interessante, pois a mesma indagação sobre os panos roxos cobrindo as imagens sempre foi a indagação principal da infância e vinha a explicação que era respeito do últimos momentos de Jesus na Terra! Hoje parece que esse costume está em desuso, mas ainda se cobre em algumas igrejas, por exemplo, a do Largo São Francisco, SP.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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