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Categoria - Paisagens e lugares A mina d’ água no Jardim São Luiz, Santo Amaro Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 10/04/2014
Hoje, se discute a falta de água na Grande São Paulo pela estiagem no sistema da Represa Cantareira, pois não chove há muito tempo; o reservatório que abastece boa parte de água em São Paulo está com níveis alarmantes, e somente resta pedir chuva aos céus com algum pajé que faça a dança da chuva e a todos que “invoquem” com fé a intervenção divina.
 
Houve época que a água corria em abundância pela região, havia córregos límpidos por toda parte, e como se dizia “pegava-se peixe com a mão”. Por São Paulo também brotava água das minas, fontes naturais que saiam da terra e eram usadas pela totalidade dos moradores. As minas d’água forneciam água potável e se bebia água na “bica” juntando-se as mãos em forma de concha saciando a sede. A água corria incolor, inodora e insípida por todos os recantos e no final da Rua 21, hoje denominada Rua Arlindo Fraga de Oliveira, no Jardim São Luiz, região de Santo Amaro, São Paulo, formava-se uma bacia, um pequeno lago, onde as lavadeiras estavam constantemente a torcer e retorcer e dando umas cacetadas nas roupas em pedras de um lajeado natural (base de formação rochosa, de pedra maciça); eram, deste modo, bem alvejadas com esta preciosa água. 
 
A mina d’água não tinha dono, pertencia a toda população que dela precisava usufruir e saciar a sede.
 
Um “belo” dia, canalizaram a mina e ela já não era livre como antigamente, também não era mais tão límpida, tinha cheiro, era fétida, pois o homem a fez assim com os seus próprios dejetos.
 
Hoje, a mina ainda existe e corre próximo ao Colégio Luiz Gonzaga Pinto e Silva e escoa embaixo do posto do batalhão da Polícia Militar que, dizem as “más e boas línguas”, ainda é usada para lavar viaturas.
 
A mina agora tem “dono”, mesmo com todo o desaforo sofrido, aprisionada, ela insiste em ressurgir, saindo do esgoto humano, como tantas outras que devem ainda correr nas galerias subterrâneas de São Paulo!
 

 

E-mail: cafatorelli@gmail.com
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Publicado em 13/04/2014

Fatorelli,uma nina dessa com águas claras e límpidas seria bom nos dias de hoje. Agora só nos resta mesmo implorar pra chover. Que Deus nos ajude! Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 10/04/2014

Carlos, que bom seria se pudéssemos transferir essa mina para a cantareira, lá com um bom tratamento voltaria a ser potável, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 10/04/2014

Carlos, lá na Parada Inglesa, onde eu morava a gente também bebia água na bica.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 10/04/2014

Carlos, apesar de todos os pesares, muito me conforta saber que a mina, apesar de ter dono, resiste e "deve correr como tantas outras nas galerias subterrâneas de São Paulo". Parabéns. Um abraço. Mas, falando a verdade, é dura essa nossa impotência em resolver as coisas, né não?

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 10/04/2014

E como tinha mina d'agua em nossa região, mas a mais famosa era a do Jd Monte Azul,ao lado do teminal João Dias, que existe até hoje porem toda cercada pela comunidade e concretada e a do Jardim S. Luiz, há poucos anos atrás via-se um filete de agua brotar da guia da calçada da Rua Arraial dos Couros, a rua da feira do bairro, parabéns pela lembrança e texto.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 10/04/2014

Eu já comentei várias vezes neste site que sou do tempo em que existia poço em quase todas as casas,depois conheci poços artesianos em condomínios pelo interior de São Paulo,mas realmente havia esquecido das minas dágua, e das bicas onde muita gente enchiam suas tinas e levavam suas roupas para serem lavadas.Eu cheguei a presenciar esta cena no morro do Heliópolis que na época(1970) existiam apenas

campos de futebol,e nascentes com suas maravilhosas bicas.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
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