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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Os carrinhos de rolimã Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 25/04/2014
Aparecia um bando de moleque não se sabia de onde, cada qual com um carrinho de rolimã na mão para as grandes disputas na descida íngreme da Rua Manoel Antonio de Freitas, no bairro do Jardim São Luiz, região de Santo Amaro, que à época nem nome tinha e era conhecida como Rua 24. 
 
Além de um declive bom para pista de corrida ela tinha uma curva acentuada que empolgava as disputas. Juntavam-se meia dúzia de meninos de cada vez para ver quem chegava primeiro em um determinado ponto marcado, com direito a “juiz de prova”, que era o arbitro, e dava o veredito final. Às vezes, a disputa era tão acirrada que os competidores chegavam ao mesmo tempo e a discussão era inevitável e cada grupo assumia um partido e o bate-boca corria solto, até a decisão chegar ao bom senso que os dois haviam ganhado para a etapa da prova final, pois em cada bateria saia um vencedor para o grande desfecho daquele dia.
 
Claro que cada carro tinha suas características, mas todos possuíam rolamentos que se conseguiam nas oficinas de veículos da redondeza e eram disputadíssimos, pois não eram fáceis de arranjar o trio de rolamentos para completar com uma no “volante”, claro que era dirigido com os pés e as duas traseiras, onde era também apoiado na tábua o traseiro do piloto.
 
A disputa acirrada levantava poeira que não se via nada à frente e às vezes a trombada era inevitável e rolava um para cada lado do morro. A coisa era tão maluca que nem freio havia e os calcanhares faziam a vez deste componente tão precioso para brecar nas emergências ou em último caso, dar de cara com o barranco! Por vezes a “máquina” e o “piloto” se arrebentavam por inteiro e acabava a brincadeira daquele dia, mas no dia seguinte apareciam os dois “novinhos em folha” como que um milagre, claro que o piloto todo remendado para mais uma grande competição de carrinhos de rolimãs, os quais eram comuns em várias ruas de terra batida em São Paulo.
 
Ficavam todos felizes, pois todos eram grandes pilotos e se consideravam vencedores!
 
E-mail: cafatorelli@gmail.com
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Publicado em 05/05/2014

Carlos, aquí no Ipiranga também tinhamos a mania dos carrinhos de rolimâ, a rua preferida era a Brigadeiro Jordão por ter uma boa calçada mas os tombos eram inevitáveis, parabéns pelo saudoso texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 01/05/2014

Que infância maravilhosa tivemos!!

Carlos, o ler sua historia, nos vem todas as lembranças desse tempo que vivemos, embora já passamos alguns anos dos sessenta, ainda sinto resquícios de felicidade, que infelizmente uma pena a garotada de hoje não tem, mas nós tivemos como na sua bela historia., pois também brincava com esses famosos carrinhos na minha rua Gomes e Greco, na Vila Diva, assim que passou o asfalto lá pelos idos de 1963. Um forte abraço

Enviado por Flavio Candido - solacrepe@gmail.com
Publicado em 29/04/2014

Cansei de andar de carrinho de rolimã. A última vez eu já tinha mais de quarenta. Caí,relei-me todo e vi que estava na hora de parar, mas saudades eu tenho, e como tenho.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 29/04/2014

Fatorelli, lendo seu texto lembrei que na rua em eu morava, meus irmãos e amigos faziam campeonatos, valia tudo, a beleza do carrinho, o rolimã e quem descia a rua em menos tempo. Nós meninas só ficávamos assistindo toda aquela bagunça.Um abraço.

Enviado por Margarida Pedroso Peramezza - margaridaperamezza@gmail.com
Publicado em 29/04/2014

Os marmanjos devem se esbanjar de saudades destes tempos de carrinho de rolemã.Meus irmãos chegaram a ter um, não tão equipado como os narrados por voce, mas de boa serventia para ele e muitos amigos...Só agora com o seu texto me veio a recordação que ele ia me buscar na casa da nossa madrinha e descíamos a av. Gustavo Adolfo,naquela época sem movimento nenhum ele na frente e eu na garupa do carrinho de rolemã,e lá íamos nós avenida abaixo sem nada temer.Quanta saudades!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 28/04/2014

Carlos, lendo o seu texto, me deixe confessar uma coisa: quando criança e eu vendo os garotos brincando de rolemã eu tinha vontade de brincar junto. Mas não podia: não era considerado brincadeira de menina. E eu tinha uma sensação de que essa brincadeira daria um gosto feliz de liberdade. Parabéns, Um abraço, meu querido.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 28/04/2014

Carlos, meu marido veio de Pederneiras para SP com 12 anos e foi morar na Tabatinguera, ele conta que descia aquela rampa pela calçada, os pedestres preferiam pular no meio da rua a ficar na frentre daquele carrinho de rolemã.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 28/04/2014

Fatorelli, tive vários carrinhos de rolimã de fabricação propiá, usava para descer pequenas ladeiras ou ser empurrado por primos e amigos, mas nunca ousei coloca-lo em competições com outros carrinhos, eu apenas limitava-me a assistir algumas vezes essas trágicas corridas, ouve até uma em que um dos competidores acabou morrendo pois seu carrinho que descia uma ladeira a mais de 40 por hora, foi parar em baixo de um velho Chevrolet 47 estacionado na beira de uma calçada, o que equivale dizer que em termos de corridas de carrinhos de rolimã eu sempre estive mais para Rubinho, do que para Aírton Senna ou Fitipaldi. (risos).

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 28/04/2014

Carlos, difícil agora (pelo menos pra mim) imaginar uma corrida de rolimãs em rua de terra, mesmo batida. Nos passeios das ruas do Braz, todos calçados, não tivemos esta experiência. Segundo seu relato, era emocionante, mesmo nos tombos as machucaduras não eram tão preocupantes.

Gostei do relato pois mecheu um pouco com a minha meninice, trazendo lembranças que teimam em não desaparecer. Parabéns, Fatorelli.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 25/04/2014

lindos tempos, tive vários carrinhos , de roliman,

descia a rua bela cintra, al. da jau,eram ladeiras grandes,

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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