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Categoria - Paisagens e lugares Chuva e cheiro de mato no Jardim São Luiz - Santo Amaro Autor(a): Carlos Fatorelli - Conheça esse autor
História publicada em 12/05/2014
Parece que antes as coisas aconteciam de maneira mais tranquila, com mais naturalidade, e tudo era aproveitado para ser usado com racionalidade, o que hoje chamamos de sustentabilidade. Por exemplo, a água da chuva e boa parte dela era aproveitada para usar em limpezas gerais. Diziam que as nuvens purificavam e a água ficava “destilada” e que poderia ser usada para uso frequente da casa. Recolhia-se, em tambores grandes, a água que era usada para enxaguar utensílios e panelas, muitas das quais eram fabricadas de ferro, de uma coloração escura, as de alumínio eram raras e as canecas eram latas com alças rebitadas.
 
Tudo era controlado, não existia tanta extravagância e os canteiros das plantações recebiam valas que “sustentavam” por algum tempo uma água que vertia de um represamento artificial regando as plantas.
 
A chuva parecia que vinha “galopando” no horizonte e os garotos ficavam até o último instante em suas brincadeiras corriqueiras até saírem em disparada rumo as suas casas, esperando que caísse a torrente que era absorvida pela terra de onde saia um cheiro de mato, em um verdadeiro aroma natural.
 
Passada a chuva, juntava um bando de moleques buscando aventura nas ruas enlameadas, represando parte da água que buscava as ribanceiras para desaguar em algum riacho, sendo que o mais próximo do lugarejo era o Riacho do Curtume que às vezes transbordava em suas margens criando pequena várzea retida por uma mata ciliar antes de desaguar no Rio Pinheiros. Saíamos com peneiras nas mãos a recolher pequenos filhotes aquáticos que muitas vezes não era somente peixes, mas também girinos “dando de cara” com sapos cururus e algumas cobras aquáticas.
 
Sempre houve algum estrago ocasionado pela intensidade das chuvas e nas margens dos pequenos rios, mas nada que comprometessem e fizessem tanto destruição, pois se evitava fixar-se muito próximo ao leito destes afluentes.
 
Na atualidade vemos casas vizinhas aos córregos para deles se aproveitarem como latrinas, cloacas a céu aberto, e, que por sua vez, trazem animais peçonhentos e transmissores de doenças. Os tempos são outros, a chuva deságua mais forte no asfalto e nas margens dos rios não há mais mata, não se sente mais cheiro de mato, pois não houve cuidado com um plano diretor descente de ocupação racional da cidade e as crianças “brincam” com o perigo das águas contaminadas que trazem doenças transmissíveis por leptospirose e o lixo espalha-se com as infecções. O Rio Pinheiros está com uma gosma negra, morto e fétido e o ar invade São Paulo com cheiro de azedume e os trens da CPTM trafegam em sua margem e a vida continua contínua!
 
E-mail: cafatorelli@gmail.com
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Publicado em 14/05/2014

"...e a vida continua", assim vc termina sua preciosa narrativa, Carlos, mostrando que, apesar das perdas dos nossos folguedos, lúdicas manifestações próprias da idade, ainda assim, a vida continua. Texto rico em detalhes, como só se pode esperar de um professor, as brincadeiras depois de uma tempestade de verão, não tinha coisa igual. Parabéns, Fatorelli.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 13/05/2014

Caro Fatorelli esse é o tipo de vida que no passado se dizia, que essa vida é de morte, As vezes eu penso em voltar a morar em São Paulo, mas quando eu acordo e logo cedo vejo na televisão as noticias dos últimos acontecimentos e os engarrafamentos, mudo de ideia depressinha. Parabéns pelo texto e acho que um dia as coisas mudarão, pena que eu e a maioria de nos, aqui do Site não poderemos ver.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 13/05/2014

Bons tempos, que depois de uma chuvarada, esses locais eram de diversão, aguas limpas, muita grama, arvores, depois da decada de 1970, tudo virou esgoto a ceu aberto e alguns canalizados e muitos outros corregose rios com suas margens ocupadas por invasões, bom tema para quem não viveu essa época e para aqueles que viveram e sentem saudades, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 12/05/2014

Carlos, infelizmente nossos rios estão contaminados por todo tipo de impurezas, é uma pena pois isso traz um grande risco à saúde, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 12/05/2014

Carlos, o progresso e os avanços tecnológicos infelizmente não trouxeram responsabilidade e consciência social. Não é por acaso que estamos sempre a reboque da civilização. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 12/05/2014

quando eu era criança tinha uns 6 anos de idade gostava de andar nas

enxurradas da chuvas, nas quias das ruas,

era uma delicia.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
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