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Categoria - Outras histórias ... E chegou a maioridade Autor(a): José Camargo Beira - Conheça esse autor
História publicada em 13/05/2014
A garotada do meu tempo não via a hora de completar 18 anos. Parecia que aquilo era a carta de alforria para uma liberdade de assistir a filmes proibidos, ganhar a chave da porta de casa para chegar a hora que bem entender e, até em termos profissionais, trocar a carteira profissional de menor e ter a de maior e ganhar o dobro... É isso mesmo, naquela época os “de menor”, além de trabalhar, tinham até carteira de trabalho, e ganhava a metade do salário mínimo dos de maior.
 
E meu dia chegou, 9 de julho de 1960, os belos anos dourados, e lá fui eu com os colegas na noite boemia de São Paulo. Às 23h alguém teve a ideia:
“- Vocês conhecem o Juruá, na Rua Jairo Goes, ali no Brás?”
 
E la fomos nós, mas eu já havia “comemorado” meu aniversário em outros lugares, e à meia-noite no baile havia uma seleção de tango, e só os mais, como direi, os coroas mais experientes e bons de baile, com seus ternos de calça boca de funil, é que iam para a pista ao som do bandoneón.
 
Fui tirar uma dama para dançar, a mulher devia ter idade para ser no mínimo minha mãe e, me olhando da cabeça aos pés, disse:
“- Que você quer garoto?”
“- Ué, dançar”.
 
Acho que como ninguém a havia tirado para dançar, ela veio, mas com uma ressalva... Não iria pagar mico, se eu desse vexame me largaria no meio do salão... Não era obrigada a saber que eu já frequentava salões de bailes desde os 15 anos.
 
Quando começamos dançar, os outros se afastaram, talvez para ver aquele moleque atrevido querendo se mostrar, mas no fim fomos aplaudidos.
 
Dançamos o resto da noite.
 
... Aparências enganam.
 
E-mail: josebeira@hotmail.com
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Publicado em 14/05/2014

Era lá mesmo,meu caro Modesto, diziam que era o antigo clube dos motoristas,bem ao lado da igreja do brás.

caro amigo Nelinho...não contei o final da noite....sai escondido do salão, a mulher não me largou mais, como disse, tinha idade pra ser minha mãe...abraços

Enviado por José Camargo Beira - josebeira@hotmail.com
Publicado em 14/05/2014

Realmente contávamos nos dedos para saber quanto tempo faltava para nossa maioridade, agora nem contamos mais o tempo passa mais rápido daquele que implorávamos para passar. Foi interessante recordar que tínhamos a carteira profissional de menor e recebíamos a metade do que era maior de idade. Parabéns pelo texto.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 14/05/2014

Performance estilo holiudiano, Beira, bem divertido. Olha que nasci no Braz, bem perto da Jairo Goes, nanca ouvi falar no Jurua. Era lá mesmo?

Parabéns, José.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 13/05/2014

José, você nos apresenta mais uma faceta, foi (ou ainda é) um exímio bailarino, agora: me conte como terminou a noite, ficou só nas danças? ou teve mais alguma coisa que você não pode contar, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 13/05/2014

AS gatinhas da época do Cruzeirinho que o digam Beira. Forte abraço ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 13/05/2014

A partir de 16 anos eu contava os dias que faltavam para chegar aos 18. Realmente as aparências enganam, porque todas as mulheres que me viram todo alinhado e aceitaram meu convite para dançar acabaram se arrependendo, porque eu sempre dancei muito mal.

Enviado por Abilio Macêdo - abilio.macedo@bol.com.br
Publicado em 13/05/2014

Muito legal, José. Ainda bem que vê dançou direitinho. Parabéns. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 13/05/2014

GRANDE BEIRA, é muito bom ficar sabendo desse seu lado de pé de Valsa, Parabéns querido amigo.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
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