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Categoria - São Paulo da cultura, gastronomia, lazer e oportunidades Memórias olfativas Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 20/05/2014
Um rabiscador metido à memorialista tem de, por força de suas afinidades literárias, utilizar totalmente suas memórias, sejam elas gustativas, olfativas, sensitivas, ou quaisquer outras que possam existir.
 
Foi com base nessa minha a assertiva que eu me apeguei para escrever este texto.
 
Explico: outro dia, passeando com minha esposa e meu enteado por um shopping, minhas narinas (enormes como podem afirmar todos os que me conhecem pessoalmente) foram assaltadas por um aroma “sui-generis”.
 
Imediatamente veio à minha memória a imagem de um pequeno saquinho de papel celofane, repleto de amendoins cobertos com chocolate e ainda quentinhos. Eram os tão desejados “praliné”.
 
A memória continuou buscando e em seguida trouxe a imagem de um carrinho de pipoca adaptado para fazer essa maravilhosa guloseima. Este carrinho tão ardorosamente relembrado ficava estacionado na Avenida Celso Garcia, quase na esquina com a Rua Bresser, e ao lado das portas da antiga “Lojas Pirani”.
 
Lembrei-me que às quintas-feiras, quando nos dirigíamos (eu minha mãe e meu irmão) para a semanal visita ao meu avô, descíamos do ônibus 5 Estações e seguíamos até a Rua 21 de Abril, no famoso “pé dois”, então tinha a oportunidade de ganhar um saquinho dessa delícia e dividi-la equitativamente com meu irmão.
 
A memória olfativa é bastante clara para mim, e está, sempre, instigando minhas glândulas salivares, ora com o oloroso perfume do amendoim praliné, ora com o inesquecível cheirinho das castanhas de caju vendidas nas Lojas Sears do Paraíso, ou ainda o perfume do churrasquinho grego da Praça da Sé.
 
É por isso que eu me convenço, cada vez mais, que ser velho é bom, mas velho com memória ativa é muito melhor.
 

 

E-mail: misagaxa@terra.com.br
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Publicado em 05/06/2014

Como sempre, muito bom o teu texto. Eu,infelizmente, encerrei minha participação no site, que vinha desde 2006, a partir de um texto que enviei sobre o Jair Rodrigues e não vi publicado e também por não concordar com "arrumações" e "inserções" indevidas nos textos enviados. Abraços.

Enviado por Luizinho trocate - slramos@bol.com.br
Publicado em 22/05/2014

Delícia de lembrança.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 21/05/2014

Quando morava em São Paulo meu olfato foi detonado por uma fabrica de celulose de Papel que ficava no final da Avenida Tomás Edson esquina com a antiga Marginal do Tiete,no finalzinho do Bairro do Limão, quando ainda não havia a via Expressa atual, A Fabrica chamava-se Irmãos Spina, e de suas chaminés em ação saia uma fumaça com um cheio de esgoto, que as vezes o vento levava o mesmo em direção ao alto da Freguesia do Ó, e era impossível comer algo que tivesse um cheiro diferente, o cheiro era sempre um só: ESGOTO OU PRIVADA, DURANTE UNS 10 ANOS os moradores da Casa Verde, Barra Funda, Freguesia e do Limão, tiveram as suas memórias olfativas afetadas por esse cheirinho maligno, Até que a mesma foi expulsa daquele local para uma região perto do Arujá, levando esse cheirinho também pra lá. rsrsrsrs. Bye-bye mau cheiro. Abraços grande Miguel.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 20/05/2014

Miguel, que coincidência! ainda hoje em frente a panificadora Larsol tinha um carrinho de pipoca e o cara estava justamente fazendo um amendoim praliné! aliás muito cheiroso, parabéns pelo texto olfativo.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 20/05/2014

É Mikael. Ainda bem que nossas narinas estão afiadas, nos lembrando de alegrias que não voltam mais, mas estão sempre presentes.

Enviado por Marcos Aurelio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 20/05/2014

Recordações destes momentos são algo inesquecíveis. pois marcaram cada passo de nossas vidas quando eramos agraciados, por algum merecimento que os adultos nos mediam, e degustávamos as delícias que nos enchiam de prazer e que saciava nossas vontades de criança. Parabéns pelo texto.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 20/05/2014

Concordo, Miguel. Boas memórias nos deixam mais vivos, felizes e presentes. Permanecemos no mundo, não só físico, mas no dos sonhos e felicidade. Um grande abraço, meu amigo.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 20/05/2014

No comentário que voce fez no texto do Marco Aurélio,dizia da sua também memória olfativa e desta sua história já escrita e aguardando publicação.Vou aproveitar a memória olfativa do passado de voces para adcionar que eu nunca mais esqueci o cheiro da canequinha de alumínio de leite com chocolate que serviam as crianças no Parque Infantil da Prefeitura na Vila Nivi onde eu frequentava...na época eu tinha apenas 5 anos e o cheiro fumegante daquele leite com chocolate eu nunca mais esqueci!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
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