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Categoria - Outras histórias Uma vida de luta e trabalho - Parte II Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 02/06/2014
Hoje vou contar mais um pouco da minha vida de luta e trabalho. 
 
Após deixar a Excelsior Elétrica, fui trabalhar na Camisaria Intercil. Iniciei logo na segunda- feira e minha função era varrer a loja, passar o pano nos balcões parcialmente envidraçados e arrumar a mercadoria nas prateleiras, os proprietários eram os senhores Torghon Nicol e Avedís Demercian. Tinha um colega de serviço de nome Alcides, o Djalma já havia saído da empresa, lá fiquei por mais ou menos um ano.
 
Tudo ia muito bem, eu até já ensaiava para aprender a me tornar um balconista, passei a me vestir melhor e usar gravata (naquela época acessório indispensável), aprendi a distinguir os tipos de tecidos das camisas (na época a tricoline - pele de pêssego era a mais famosa), começavam a surgir no mercado as sandálias abertas também usadas pelos homens pela sua praticidade. A Intercil foi uma das primeiras a também vender o produto.
 
Uma manhã vieram entregar um lote das referidas sandálias, o senhor Avedís determinou que as caixas deveriam ser armazenadas no mezanino que circundava toda parte superior da loja. Combinei com o Alcides que eu ficaria na parte de cima e ele iria jogando as caixas para que eu apanhasse e fosse colocando em ordem na prateleira. Quase no final do trabalho o Alcides jogou uma das caixas só que com a tampa virada para baixo. Resultado: apanhei a caixa, mas a tampa se soltou e o par de sandálias caiu sobre a cabeça de um manequim de meio corpo que estava sobre o balcão... O manequim acabou por cair de cara sobre o tampo de vidro, quebrou o "nariz" e também parte da vitrine envidraçada. Tomamos uma “senhora” bronca dos proprietários da loja e fomos acusados injustamente de falta de atenção no trabalho. Um cliente que no momento estava na loja até ensaiou umas palavras em nossa defesa mas nada adiantou, fomos punidos com o desconto do prejuízo em nossos salários, muito embora a loja tivesse um seguro para esse tipo de acidente. 
 
Me lembro até hoje do fato porque o acidente aconteceu exatamente no dia do meu aniversário, eu completava 14 anos! E logo pela manhã o Sr. Torghon havia me presenteado com uma bela gravata toda quadriculada modelo escocês em tecido tipo “rayon”. Meu pai foi falar com os proprietários para relevar o problema, pois o fato ocorreu de forma involuntária mas não teve êxito... Em vista disso, o salário do mês praticamente foi utilizado no pagamento do estrago. Meu pai resolveu que eu não mais seguiria trabalhando na loja, pois julgava uma injustiça o desconto. 
 
A loja existe até hoje, mas agora na Rua Dom José de Barros. Ainda me lembro com saudades principalmente dos quibes e esfihas que a esposa do Sr. Avedis trazia na loja e servia de lanche nas épocas de festas, quando o estabelecimento ficava aberto até as 22h. Aprendi muito com os patrões apesar do ocorrido. 
 
Fiquei desempregado por apenas uma semana, graças a uma senhora que era irmã da namorada de meu tio Zézinho. Fui encaminhado a um escritório de despachos alfandegários que estava precisando de um office-boy. O nome da firma era Despachos Iris Ltda. e ficava na Rua Líbero Badaró, 651.
 
Por hoje fico por aqui. Aguardem a parte III. Obrigado.
E-mail: lt.ltesser@hotmail.com
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Publicado em 04/06/2014

Nelinho como era dura a vida naqueles tempos ,e a gente andava numa dureza barbara, e esses malvados foram cobrar pelo prejuizo, mesmo estando cobertos com seguro , fez bem teu pai em fazer voce pedir demissao .Lindas lembrancas ,parabens Nelinho . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 04/06/2014

NELINHO eu também comecei a trabalhar muito cedo,

fiquei emocionado ao receber o meu primeiro ordenado,

entreguei todo o dinheiro ao meu pai,fiquei muito orgulhoso por ter ajudado com as contas do mês,

foi ai que eu me senti responsável.

Enviado por João Cláudio Capasso - jccapasso2@hotmail.com
Publicado em 03/06/2014

Caro Aureliano, pode ficar tranquilo, não vai haver mortes! rs.rs.rs.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 03/06/2014

Nelinho, estou gostando do roteiro da sua saga,nunca trabalhei quando era menor de idade, mas conheço essas peripécias pelos amigos e agora de voce, creio que seja bom pois forma o carater logo cedo e a ocupação não deixa pensar bobagens, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 03/06/2014

Lelinho, estou gostando dessa sua narrativa e estou com seu pai, acidentes acontecem dentro de uma empresa e, estando no seguro, esse Avedis (que não se perca pelo nome, conheço muito bem...), foi de uma uzura irritante, cobrando dos garotos o resultado de um pequeno acidente.

A sequencia da sua narrativa nos deixa uma perspectiva de boas etapas por vir. Vamos aguardar, Nelinho parabéns pelo que ate aqui vc apresentou. Abraços.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 03/06/2014

Nelinho, imagine só: com 14 anos e e ter que pagar pelo ocorrido sem nenhuma culpa!!!! Apesar da dureza da situação, isso te fez forte, corretíssimo, responsável. Hoje eu penso no quanto essa severidade nos ajudou. Parabéns pelo texto e, mais uma vez, parabéns pela vida digna que soube construir. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 03/06/2014

Este seu curriculo imenso de trabalho,faz inveja a todos nós que também tivemos uma vida de trabalho muito precoce e variada...

Naquela época os menos favorecidos saiam das escolas na hora do almoço e iam direto para algum tipo de trabalho considerado infantil que era varrer, limpar balcões,vitrines ou serviços de entregas.Hoje a lei não permite que menores trabalhem antes dos 16 anos, só que os garotos de 14/15 anos são uns sujeitos enormes que ficam nas ruas sem ter o que fazer e aprendendo tudo que não presta, e depois dos 16 anos eles além de se acostumarem a não trabalhar,não sabem e nem se esforçam para fazerem nada.O ditado popular "cabeça vazia é a oficina do diabo" ainda é muito atual.

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 02/06/2014

Nelinho Em todos os seus trabalhos você aprontava uma - Acho que você fez um estagio na Disney com o Pateta - Risos Forte abraço ...Estou até preocupado para a parte III - Será que vai morrer alguém ??? Risos ...

Enviado por José Aureliano Oliveira - joseaurelianooliveira.aureliano@yahoo.com.br
Publicado em 02/06/2014

Quando somos novos, sempre acontece algo no trabalho que nos marca para a vida toda.Sempre cometemos deslizes é a bronca era inevitável. Nunca tive a sorte de ser agraciado com quibes e esfihas, ao menos fostes um felizardo nas festas, pois a fome de um jovem é sempre de leão.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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