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Categoria - Outras histórias Saudades das Copas do Mundo I Autor(a): João Felix - Conheça esse autor
História publicada em 13/06/2014
Quantas saudades das velhas copas dos tempos do Jules Rimet com apenas 16 países divididos em quatro grupos. Em 1982 inflacionaram o modo de disputa aumentando para 24 seleções e já em 1998 o numero de participantes chegou nos 32 divididos em oito grupos. Eu acho que antigamente se jogava com mais garra, com mais amor à camisa, com mais amor ao país que defendia. Outro dia estava lendo que uma das primeiras reuniões da comissão técnica e jogadores com a CBF, foi para discutir o valor da premiação em caso de vitória. O profissional hoje só olha os cifrões, e são atletas que muito jovens se tornam ricos e milionários em um abrir e fechar de olhos. Nada quanto a isso, pois realmente um atleta com mais de 35 anos com raríssimas exceções é considerado velho. Mas quando se trata de defender o país em que ele nasceu eu acho que ele deveria ter mais orgulho do que desejos. Olha o caso da seleção do Camarões que se recusou a embarcar, pois não chegaram a um acordo quanto ao quesito premiação por participar, e são jogadores que em sua maioria ganham milhões jogando no exterior. Não sei se no fim eles chegaram a um acordo e vieram para a Copa... Enfim o mercado profissional esportivo de maneira geral passou dos limites. Cada membro da comissão técnica da delegação da Espanha vai ganhar $ 720 mil euros. Os campeões do Brasil de 1958 até hoje nunca conseguiram nem a aposentadoria prometida a eles, sendo que a maioria já não se encontra entre nós.
 
Brasil 1950
 
Voltando no tempo sessenta e quatro anos atrás, era o dia 16 de julho de 1950, e me vejo na minha adolescência jogado ao chão de minha casa, no Braz, ao lado da nossa rádio vitrola onde tinha acabado de escutar o jogo da nossa seleção. Chorando copiosamente como se o mundo estivesse acabando. Naquele momento inesquecível para mim não podia compreender o que tinha acabado de acontecer.
 
Nos que éramos considerados favoritos, tínhamos perdido do Uruguai, em uma copa disputada em nossos domínios. Quando iríamos ter outra oportunidade como essa?
Na minha inocência questionava o resultado. Não tinha sido justo, pois tínhamos um grupo cheio de grandes craques, embora com um treinador bairrista. Só escalava cariocas e que tivessem vínculos vascaínos. O Flavio Costa era isso e mais alguma coisa. Esse foi um dos motivos, mais o excesso de confiança. Nos já éramos campeões no momento que o juiz apitou o inicio do jogo, pois 0 x 0 nos dava o título.
 
O primeiro tempo terminou com aquele resultado, e logo no começo do segundo tempo o Friaca abriu o marcador e com o 1 x 0 a esperança era ainda maior, pois eles não tinham todo aquele time para ganhar da gente. E mesmo que eles conseguissem empatar mesmo assim a gente ficava com o caneco. Eu confesso que me sentia contagiado com todo aquele excesso de otimismo como todos aqueles 200mil torcedores lá no Maracanã.
 
O Brasil tinha goleado a Suécia 7 x 1, a Espanha 6 x 1. O Uruguai tinha penado para ganhar da Suécia 3 x 2 e só fez o terceiro nos minutos finais. E estavam perdendo da Espanha, e só conseguiram empatar também nos minutos finais, 2 x 2.
 
Mas realmente jogo de final de Copa só se ganha com muita garra e determinação, e sempre depois de 90 minutos jogados. Tivemos algumas oportunidades no segundo tempo, e como diz o velho ditado “quem não faz toma” e assim foi que aos 20 minutos o Schiaffino empatou. E não demorou se não me engano aos 35 minutos o Ghiggia vira o jogo e derrota o Brasil e leva a Copa, que era nossa, muito nossa. Todos nós colaboramos para essa derrocada, inclusive a imprensa, estampando fotos e manchetes, apontando o Brasil como futuro campeão no dia anterior. Eu sempre achei que não foi o Uruguai que ganhou do Brasil, mas foi Brasil que perdeu do Uruguai. Todos nos menosprezamos aqueles jogadores, mexemos com seus brios, e esse realmente foi o nosso maior erro. Apresentamos ao mundo uma série de resultados espetaculares. 
 
Estavam todos encantados com nossa seleção, mas faltou ao grupo dignidade, humildade, e fomos derrotados por uma equipe inferior a nossa. Eles praticamente iriam entrar em campo para apanhar de pouco, mas ao descobrirem tanta alta confiança dos nossos, e comandados pelo estupendo líder Obdulio Varela, foram criando confiança neles próprios e com muita raça e determinação levaram nota 10, em todos os sentidos.
 
Faltou-nos brio, e por que não dizer vergonha na cara e de uma maneira bisonha perdemos. Tinha comigo uma edição especial da copa de 50 da Gazeta Esportiva que sempre me lembrava dessa tragédia. E muita gente culpava o Bigode, o Barbosa, mas todos nos temos nossa parcela de culpa excesso de confiança, falta de humildade...
 
Já quase aos 80 anos me sinto um privilegiado, pois de todas as copas que o Brasil disputou, só perdi três a de 1930 , 34 e 38. E nas últimas eu sempre me questiono, e penso será que estarei por aqui na próxima?
 
Lembro muito vagamente comentários dos mais velhos da copa de 38, quando o Leônidas que foi o artilheiro daquele ano tinha sido poupado da semifinal, para jogar a final, tanta era a certeza que iríamos derrotar a Itália. E no fim acabamos derrotados por 2 x 1 pela mesma, que acabou sendo a campeã. Daí a gente pode perceber que nossas incertezas e falta de humildade, assim também como excesso de confiança vinha de longe infelizmente. E acabamos em terceiro naquele ano.
 
Suíça 1954
 
Estávamos bem representados com um time cheio de craques, como Castilho, Djalma Santos, Nilton Santos, Bauer, Julinho, Pinga I, Baltazar, Didi o folha seca entre outros.
 
Mas nos faltava organização. Tanto que o empate com a Iugoslávia 1 x 1 nos classificava para a próxima fase e a delegação pensava que estava eliminada. Até os dirigentes tinham dúvidas quanto aos regulamentos. Mas aí cruzamos com a Hungria, do Puskas, Kocsis e Czibor; que nos derrotaram por 4 x 2. E aí foram surpreendidos pelos alemães depois de estar vencendo por 2 x 0 no primeiro tempo. Foi 3 x 2 e a Alemanha foi campeã pela primeira vez. Mais ou menos o que aconteceu com o Brasil em 50, pleno favorito derrotado.
 
Até o segundo capítulo na Suécia de 1958.
E-mail: jfvilanova@gmail.com
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Publicado em 30/08/2014

Prezado Sr. João Félix,

Em 1958 eu concordo que nos tínhamos uma equipe forte com todos os jogadores que o Sr. mencionou. Eram bons jogadores , mas não poderia se comparar com a "equipe rodada" da Hungria que já havia vencido com quase os mesmos jogadores o campeonato Olímpico de futebol 2 anos antes(1952).

Ao Brasil faltam 11 Julinhos e 11 Djalma Santos, e especialmente o primeiro. Nós tínhamos o "Monstro do Maracanã" José Carlos Bauer que era um "craque" com a bola nos pés, mas pecava em não dar combate e não marcar ninguém.

A Hungria por si tinha sua base na equipe do governo comunista do Honvéd(em Húngaro quer dizer "Defesa"), e era uma "máquina" como a do Brasil em 1950, 1958, e 1970, mas assim mesmo não ganhou a grande Final.

Fazendo as mesmas perguntas sobre o Brasil de 1950 a respeito da Hungria de 1954 o que os Húngaros fizeram de errado.

Nos países comunistas dificilmente pode haver "Oba Oba", pergunta-se o que gerou essa derrota, pois durante a classificação a Hungria bateu a Alemanha por 8x3. Em 1953 bateu a Inglaterra em Wembley Stadium por 6x3, e também bateu a mesma Inglaterra em Budapeste por 7x1.

São segredos do "velho futebol" como diria o eterno Cláudio Carsughi.

Abraços de Juprelle na Bélgica,

Ademar

Enviado por AZLerose - mchale326@hotmail.com
Publicado em 30/08/2014

Caro Sr. João Felix,

A sua descrição de ambas as Copas de 1950 e 1958 é muito boa.

Entrando em detalhes na Copa de 1950 como o tradicional "Oba Oba" da imprensa e dos torcedores Brasileiros talvez enganados pelas vitorias "robustas" conta a Espanha e a Suécia.

Existiram 2(dois) fatores interessantes que devem ser mencionados:

1- Em entrevista de Zizinho(Mestre Ziza) em um dos vídeos da Youtube esclarece que os jogadores do Brasil não tiveram tempo necessário para concentração, porque receberam ordens superiores para descer ao Maracanã e atender os pedidos de políticos querendo tirar proveito da situação. O prefeito então do Rio de Janeiro(então Distrito Federal), cobrava uma vitoria dos jogadores pelo belo estádio que ele construiu.

acompanhado de toda desorganização e fanfarra possível.

2 - Quanto a equipe do Uruguai era uma equipe no sentido da palavra. Tinha como base 6 ou 7 jogadores do Peñarol e enxertado por jogadores do eterno rival Nacional, do Cerro Danúbio e outros. Era sim uma equipe forte coesa, que como o próprio Zizinho não podia ser menosprezada.

Sobre a equipe da Copa de 1954 eu farei em um outro comentário.

Abraços desdes Juprelle na Bélgica,

Ademar

Enviado por AZLerose - mchale326@hotmail.com
Publicado em 17/06/2014

Formidável essa sua idéia, irmão, levantar com detalhes os mundiais que passaram. A de 1950, João, eu tinha 18 anos e meu amigo, Stoppa, já falecido, e disse "Testi, eu vou assistir a final no Maracanã". Falei com meus pais, como dava tudo o que ganhava, não tinha "caixa 2", família grande, não pude ir. O Stoppa voltou revoltado com o que viu e ouviu. De fato, John, a cariocada impera desde que São Paulo começou a crescer. Em tudo mas, sempre levaram a pior. Só não vou torcer contra o Brasil porque, antes ,de mais nada, sou BRASILEIRO. Vc vê, tudo fizeram e conseguiram sediar essa copa. Na Copa das federações, quizeram e conseguiram sediar. Na próxima Olimpíadas de 2016, quizeram, bateram os pés e conseguiram sedia-la. As principais "cabeças" daqui de São Paulo, todos "yelow belly", não são de nada, mesmo. E olha, João, os melhores atletas estão aqui. Bem, isso é outra história; seu trabalho está formidável, vamos aguardar as próximas copas, compiladas, irradiadas, fotografadas, filmadas e comentadas pelo meu irmão, João Felix. Parabéns, Felix.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 16/06/2014

Felix, bela reminiscência esportiva, fatos que muitas vezes não lembramos mais, voce as colocou em evidencia, muito bom, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 15/06/2014

João,concordo que antes havia mais garra - em tudo na vida era assim: para se conseguir qualquer coisa era necessário muito mais luta e afinco. Olhe para nós mesmos: quando você precisava até de um novo par de sapatos, precisava ou não economizar para isso? Certamente que sim.

Mas vai ver outras Copas sim. Eu estou muito contente com essa, pois é a primeira vez na vida que estou tendo tempo de ligara televisão para acompanhar o evento (porque me aposentei e, hoje, ainda trabalho, porém com uma carga infinitamente menos estressante que antes, em sala de aula). Parabéns pelo texto, sempre ótimo. Um abraço e vamos nessa, Brasil.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 13/06/2014

Felix, perdemos do Uruguai em 50 porque os jogadores da celeste olimpica acreditaram na força de vontade, aproveitaram o nosso excesso de confiança pois na véspera todos nós já nos considerávamos campeões mas esquecemos que do outro lado estavam 11 homens que se recusaram a aceitar a derrota, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
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