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Categoria - Outras histórias Memórias “Copeiras” Autor(a): Miguel S. G. Chammas - Conheça esse autor
História publicada em 16/06/2014
Estamos em clima de Copa do Mundo! Mesmo não sentindo nas ruas a mesma vibração de outros tempos eu sinto a animação nos transeuntes, nos vizinhos e, por que não dizer, nos amigos.
 
É neste clima de expectativa que sento em frente ao meu computador e sinto vontade de escrever sobre as copas que vivi nestes 74 anos de vida.
 
As lembranças não são difíceis de virem à tona, apenas me cabe o trabalho de selecionar algumas e escrever sobre elas. Teclado pronto, decido escrever sobre a Copa que mesmo presente eu não assisti. Foi uma escolha deliberadamente cômoda, pois as demais Copas geraram muita aflição, desespero, alegria, e ser-me-ia bastante abreviá-las para caber num só texto. Então, vamos lá, Copa do Mundo de 1950. 
 
Eu, moleque ainda, ao contrário dos garotos de hoje, não tinha noção da grandiosidade desse evento. 
 
Ouvia comentários dos meus pais, dos meus tios, mas preferia, lógico, o meu mundo de brincadeiras no quintal de casa em que vivia, na Rua Augusta, 291. 
 
Era 16 de julho, depois do almoço ajantarado de todos os domingos, eu o Carlinhos, meu irmão, e o Roberto, meu primo, fomos para nosso mundo de fantasias, o quintal. Minha prima, como de costume, foi se entreter com os diversos trapos e roupas de minha tia e de minha mãe com que normalmente brincava. Minha mãe, minha tia Neide, minha Tia Elisa, minha tia Zaíra, meu avô Gidi e meu pai,= sentaram-se em torno da mesa da cozinha e, entre conversas diversas e um cafezinho coado na hora, começaram a ouvir o rádio e a transmissão do jogo entre Brasil e Uruguai.
 
Meu pai, com aquele jeito exagerado de são-paulino fanático e ferrenho, alardeava que o campeonato já era nosso, tendo a concordância de todos os demais. 
 
Nós brincávamos e apenas por curiosidade, de quando em vez, esticávamos os olhares para o plano mais alto onde se localizava a cozinha para ver o movimento. Eram caretas angustiadas, murros no ar desferidos por meu pai, algumas palavras de sentido mais imoral, nada que realmente nos fizessem desistir de nossas brincadeiras.
 
Em certo momento nós “ouvimos” um silêncio sepulcral. Intrigado corri até a cozinha e não vi mais meu pai e meu avô, as mulheres daquele diminuto auditório choravam copiosamente, minha mãe me abraçou e disse entre soluços e lágrimas: 
- “Miguelzinho o Brasil perdeu, o Brasil perdeu...”
 
Sem muito entender, mas querendo participar do destempero, busquei me emocionar e também comecei a chorar. Foi uma choradeira geral. 
 
Só não vi, ou melhor, não lembro se vi meu pai e meu avô chorando (naqueles tempos homem não chorava). 
 
Estas são as minhas memórias daquele campeonato fatídico. 
 
Vamos torcer para que neste ano de 2014, quando novamente temos a realização de uma Copa do Mundo no Brasil, mesmo conscientes de todas as mazelas e aberrações ocorridas, o povo brasileiro tenha o prazer de comemorar um final mais feliz do que em 1950.
E-mail: misagaxa@terra.com.br
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Publicado em 20/06/2014

É isso aí Miguel belas lembranças......E se por acaso o Brasil não for o campeão nao vamos massacrar nenhum jogador da seleção como fizeram com o pobre Barbosa em 1.950...Afinal de contas grandes jogadores brasileiros como Ronaldo, Roberto Carlos, Valdir Perez e outros que não me recordo já falharam em outras copas e hoje são comentaristas em redes de TV.......um abraço Miguel.

Enviado por Luiz Gonzaga Simões Garcia - gonzagagarcia@ig.com.br
Publicado em 18/06/2014

Bela narrativa Miguel, alias como sempre; Eu em 1950 tinha onze anos e chorei muito, mas muito mesmo, coisa que não farei caso a historia se repita nesse 2014, ha muitos anos o velho futebol deixou de significar para mim, graças aos seus corruptos dirigentes nem 10% daquilo que significava nos anos 50. Hoje eu tenho que me esforçar muito para torcer para o Brasil ganhar. E posso garantir que o maior culpado disso não e nem nunca fui eu, não.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 17/06/2014

ESSE ANO VAI SER NOSSO, MIGUEL, VC VAI VER. VAMOS ENTERRAR NO MARACANÃ O URUBU QUE VOAVA EM 1950. AGORA O PAPO É OUTRO. PARABÉNS, MIGUEL.

MO.

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 16/06/2014

Miguel, naquela época eu tinha 15 anos, me lembro bem da tristeza que os meus parentes sentiram, as ruas ficaram desertas, foi realmente uma pena, esperamos que não se repita este ano, parabéns pela lembrança.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 16/06/2014

Também espero que o final seja feliz, Miguel. Ouvi inúmeras vezes o meu pai falando a Copa de 50 com o seu melhor amigo. Parabéns pelo texto e pelas emoções ali depositadas. Confesso que essa é a primeira vez que estou com disponibilidade de tempo para acompanhar o Mundial. E coloquei bandeira no carro e na janela de frente do meu apartamento. E vamos torcendo. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 16/06/2014

Vamos torcer,vamos torcer.

E aproveito para lhe agradecer por ter iniciado este site,que me tem dado a oportunidadede fazer amigos e reencontrar antigos.

Enviado por Benedita Alves dos Anjos - dosanjos81@gmail.com
Publicado em 16/06/2014

Como nos velhos tempos "o campeonato também é nosso" só falta superar os adversários que almejam a mesma coisa, e desta vez televisiva para todo o mundo. Iremos sorrir ou repetir os soluços do passado deste time de milionários defendendo o Brasil da empresa privada da CBF?

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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