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Categoria - Outras histórias Copa de 1950, do que me lembro Autor(a): Joaquim Ignácio de Souza Netto - Conheça esse autor
História publicada em 03/07/2014

Em 1950 meu tio Mané me levou ao Pacaembu para assistir Uruguai x Espanha. Era um domingo que começou com tempo fechado mas logo o sol apareceu... Aquele solzinho de inverno, até que um pouco frio. Um sol que não aquecia. 

Chegamos ao Pacaembu era meio dia, mais ou menos, e ficamos esperando abrir as bilheterias. Acho que abriu por volta de 13h30. Havia uma fila normal, sem empurra-empurra, claro que cheia de “hermanos” da banda oriental e “señores” de Castilla la Vieja, Aragon, Galicia... E muitos brasileiros.
 
Prá ser sincero, para nós, aquele era mais um torneio com a Seleção do Brasil e seleções estrangeiras. Nada de muito importante e, além do mais, em relação à Seleção Brasileira, havia o problema do bairrismo exacerbado com a escolha dos jogadores pendendo para o lado do Rio de Janeiro, com o time tendo por base o Vasco da Gama, o expresso da vitória.
 
Me lembro do Antonio Cordeiro da radio Nacional do Rio justificar o “encariocamento” da Seleção com o seguinte argumento: "Ninguém conhece os jogadores de São Paulo, de Minas, do Rio Grande..." Aquela foi uma época em que o Brasil treinava contra o Torres Homem, um time de várzea de Niterói presidido por um diretor da CBD... Creio que deveria haver uma graninha por fora para "pagar despesas”, etc, etc...(cala-te boca!).
 
Uruguai e Espanha ficaram no 2 a 2 num jogo horrível, se eu estou bem lembrado; o Brasil jogou contra a Suíça, também no Pacaembu, com um time considerado reserva, ou melhor, com um time montado “nas coxas” (perdão pelo calão!) e também empatou por 2 a 2...
 
No Rio, após a goleada contra a Espanha, o time saiu do Hotel das Laranjeiras, um local sossegado, na floresta, e desceu para São Januário, dependências do Vasco da Gama.
 
Era época de eleições, inclusive eleições presidenciais, e políticos do Brasil todo vieram para o Rio para serem fotografados com os jogadores; Flávio Costa, o Alicate, era o nosso técnico, candidato à vereança do Distrito Federal e articulador das entrevistas, fotos e filmagens com os políticos. 
 
Zizinho, talvez na última entrevista em profundidade dada por ele para um órgão de imprensa, no caso a para a ESPN (tá no youtube) afirmou que em 3 dias, se ele dormiu 20 horas foi muito. A revista "O Cruzeiro" levou os jogadores, na madrugada do dia do jogo contra o Uruguai, para um estúdio para serem fotografados uniformizados e com a faixa no peito... E deu no que deu! 
 
Bigode não conseguiu marcar o Gighia, faltou-lhe pique, velocidade e, de repente, lá veio a bomba, chute cruzado, que o sonolento Barbosa, mesmo estando bem acordado, não conseguiria defender.
 
Fala-se muito de 1950, mas também em 1954 a desorganização “comeu solta”. Jogadores preferidos por Zezé Moreira como titulares e Julinho, Cláudio, Baltazar, Djalma Santos, entre outros, ou no banco ou não sendo convocados. A Copa terminou tristemente para nós com a "Comissão Técnica" partindo inteira para cima do "referee", Zezé Moreira com uma chuteira na mão, como um malandro do morro e seu chinelo “Charlot”, avançando contra a polícia da Suíça; Paulo Planet Buarque fotografado e filmado distribuindo rabos de arraia no gramado... Vergonha!
 
Eu me abstenho de escrever em datas especiais, efemérides, dia das Mães, dia dos Pais, dia das Sogras e outros dias (inclusve Natal, Ano Novo e outros), mas estão escrevendo tanto sobre essa Copa de 2014 e sobre 1950 que resolvi deixar minha postura de molusco e relembrar certos fatos...
 
Talvez eu ainda volte ao assunto, sei lá!
E-mail: joaquim.ignacio@bol.com.br
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Publicado em 10/07/2014

Não estou vendo TV, não estou ouvindo rádio, não quero mais saber dos resultados da Seleção(?)na Copa... Em 1950 eu tinha 10 anos e vi Espanha e Uruguai; hoje tenho 74 e fui ver Inglaterra vs Costa Rica em BH e Bélgica vs Coreia no Itaquerão, os dois jogos uma droga, valendo apenas pela alegria da torcida inglesa e pela robotização dos "torcedores"(?) coreanos, mais preocupados em seguir as ordens de animadores de torcida e seus megafones, nem sei se eles viram o jogo. Em 1950 não vi nenhum jogo do Brasil e em 2014 também não vi, a menos que aquele time covarde de camiseta amarela, que apareceu na TV fosse nossa Seleção. Saudades do Bellini, do Mauro, do Pelé e do Mané Tortinho...

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - joaquim.ignacio@bol.com.br
Publicado em 10/07/2014

No fatídico dia para a Seleção, só superado pela vergonhosa derrota recente para a Alemanha, eu me encotrava diante da casa de minha tia Maria José, Rua Lopes Chaves, na Barra Funda. Criança, não entendia nada de futebol, mas ouvia falar dos feitos do Selecionado. Quando aconteceu o gol de Giggia, ouvi, num bar próximo, estalar de um copo no chão e palavrões em alto e bom som. Boa e adequada lembrança, caro Joaquim.

Enviado por Luiz Simões Saidenberg - lssaidenberg@gmail.com
Publicado em 07/07/2014

Doces lembranças da Copa de 1950. Parabéns, Ignacio.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 04/07/2014

Joaquim, mesmo sem grandes lembranças desse momento (veja Memórias Copeiras) fiquei enebriado por seu relato e da forma como você contou esse acontecimento. Valeu amigo.

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 04/07/2014

Ignacio, o Brasil sempre foi mestre em desorganização acho que é cultural, parabéns por essas belas memórias, muito bem colocadas nesse seu texto.

Enviado por Arthur Miranda (Tutu) - 27.miranda@gmail.com
Publicado em 03/07/2014

E no fim de tudo. Só o coitado do Barbosa levou a culpa.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
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