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Categoria - Outras histórias João Cem Autor(a): Luiz Simões Saidenberg - Conheça esse autor
História publicada em 16/07/2014
A lembrança passou-me ofuscante diante dos olhos, como se um relâmpago explodisse.
 
Foi isto mesmo o que vi, na última vez em que estive no Joan Sehn, a velha choperia conhecida pelos populares, exaltada por seus chopes como “João Cem”. Estávamos saindo dali. Noite chuvosa, e o porteiro abriu um grande guarda chuva para nos acompanhar até o carro. Foi então que o relâmpago estalou, cegante, como se tivesse acertado a ponteira do guarda chuva, ali mesmo. Saltamos para trás.
 
Não passou de susto, e o próximo viria com a notícia: o venerado estabelecimento, mais antiga choperia de São Paulo, havia fechado.
 
Postada em Moema desde 1937, fora fundada por Joan Sehn, imigrante austríaco. Eu a conhecia de longa data, mas evidentemente curta diante de sua idade. Foi nos idos dos anos 60 que me levaram a provar seu belo chope e ótimas tabuas de frios. Era então bem simples, com paredes de madeira, quase um barracão.
 
Quando voltei, já era bem maior e sofisticada. Fomos ali muitas vezes. O que era facilitado pelo amplo estacionamento, que tinha ao lado e o, então, tranquilo bairro. Muitas vezes um piano tornava ainda mais agradável o ambiente.
 
Na entrada, suas chopeiras e máquinas importadas de cortar frios, grande variedade de bons queijos. Um dos melhores pontos de Moema, famosa por suas churrascarias e cervejarias. Lembro-me de certa vez, no final de 1977, que minha agência de propaganda, quase vizinha, resolveu fazer sua festa ali.
 
Quando cheguei, os festejos já estavam em andamento, e o pessoal em grande alegria. Steinheger e chope fluíam adoidados. O diretor de atendimento, apesar de diabético, já estava “mamado”. Só felicidade. E a festa estava só começando. Quando saiu de lá, depois de tomar muitas, nem conseguiu achar o local onde havia deixado o carro.
 
Não sei bem porquê, toda essa festa fixa acabou. Logo depois da má notícia, tapumes anunciavam a construção de mais um lançamento imobiliário. Mais um espigão em Moema, levando às alturas seus andares e preços já hiper valorizados.
 
Faz tempo que não tomo um bom chope. Quando tomar, preciso lembrar-me de fazê-lo em memória da querida choperia.
 
 
E-mail: lssaidenberg@gmail.com
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Publicado em 27/08/2014

Luiz, magnifica suas lembranças, que também são minhas! Do meu primeiro chopp e Steinheger com a namorada nos anos 70 nesta querida e nostálgica choperia.Enfim a cada dia perdemos parte da nossa memoria de nosso tempo e querida São Paulo. Sua matéria me trouxe um misto de alegria e tristeza de belas recordações de um tempo que não volta mais!

Abraços

Enviado por Flavio Candido - solacrepe@gmail.com
Publicado em 23/07/2014

Luiz, seu comentário reavivou minha memória, fui mjitas vezes ao João Cem, não sabia que havia fechado pois faz muito tempo que não vou para aqueles lados, é uma pena, mas bom chopp a gente ainda encontra em alguns lugares de São Paulo, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 17/07/2014

Foi na João Cem que experimentei peça primeira vez, um tipo de bebida chamada Shnappe ( acho que é assim que se escreve )tinha que ser tomada com chope bem gelado. Era bom demais.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 17/07/2014

Saidenberg, que retorno auspicioso, pena que com uma triste notícia. Não se aborreça, apenas retorne em seus delírios aos bons momentos passados no João Cem (ou Sehn). Felis e bela recordação, Luiz, parabéns.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 17/07/2014

Luiz, que bom que você volto! Muitos amigos abandonaram o site - ou estão temporariamente afastados - mas é sempre bom reencontrar as pessoas importantes. Quanto ao seu texto, já senti na pele também muitas situações de perda dos bons lugares, das boas memórias... em nome do progresso. O que fazer? Não é fácil mesmo, mas vamos seguindo. Um abraço e parabéns pelo relato.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 16/07/2014

Está crônica foi direta e surpreendente com mais essa noticia de uma casa tão tradicional como muitas que também fecharam, fui algumas vezes a essa choperia de alta qualidade que por sinal usava os produtos EDER,há algum tempo que não ia lá e agora é tarde tudo acabou, sinto me mais velho, mas ficará na mente mais um local de grandes comemorações,creio que o valor oferecido pela construtora foi irrecusável e assim São Paulo vai perdendo sua memória, mas lembrada aqui no SPMC, parabéns pela lembrança, Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 16/07/2014

O setor imobiliário apropria-se de toda referência paulistana e expulsa a identidade local para usufruir das benesses de um local com infra estrutura e planejamento. Muitas casas e restaurantes de Moema sucumbiram as investidas imobiliárias. Parabéns pela crônica.

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
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