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Categoria - Nossos bairros, nossas vidas Campo Belo e Piraquara II Autor(a): Roque Vasto - Conheça esse autor
História publicada em 31/07/2014
As noites de sábado... Ah, que maravilha eram as noites de sábado. Saíamos em uma turminha de quatro ou cinco amigos, e percorríamos as ruas do Campo Belo e Piraquara, à procura dos inconfundíveis sons da antigas vitrolas, tocando os long plays do Ray Conniff, Nico Fidenco, Ray Charles e inúmeros outros que encantaram nossa juventude. 
 
Passávamos em frente de uma casa e víamos acesas as luzes da garagem, com suas portas abertas. Batata! Ali haveria um baile de aniversário, ou de pré-formatura, ou simplesmente um baile. Íamos reunir amigos e, nada mais natural, que meninas e meninos a cata de um romance.
 
Era assim, frente a frente, corpo a corpo, que se iniciavam os namoros. Embora, muita vezes, era assim que eles também terminavam.
 
Nada de internet, nada de shopping, pois essas coisas não existiam. E poucas pessoas tinham telefone, portanto, se encontrar em reuniões era fundamental para qualquer relacionamento.
 
Quase nada superava a visão maravilhosa de uma garagem cheia de meninas, com seus vestidos bonitos, cabelos bem arrumados, perfume de vários aromas, e, sobre alguma mesinha, a infalível combinação de coca-cola com rum e uma rodela de limão. Pena que o rum quase que se perdia num mar de coca cola.
 
Nessa mesma época, lembro que o Campo Belo nada mais era que uma simples parada de bonde, na esquina da Rua Rui Barbosa, em frente ao Erick Bar, tendo suas ruas sem asfalto e sem maiores urbanizações. A única rua asfaltada ou calçada era a Maracatins. Assim, o pão chegava às casas através da carroça do padeiro, um português, que diariamente percorria as ruas do bairro gritando:
 
- Olha o padeiro! Padeirito!
 
E todas as donas de casa saiam às portas, e logo se formava uma rodinha em volta da carroça. Quando o “padeirito” abria sua caçamba era um perfume indescritível que enchia a rua. Cheiro de pão quente: pães doces, maria mole, bisnaguinhas doces, e dos inesquecíveis bebês, que eram brioches, ou pequenos bolos, que tinham um sabor e cheiro não mais encontrado nas receitas atuais. Era tão bom que a maioria das crianças comia até a forminha de papel.
 
Belos tempos, que pouco a pouco foram desaparecendo. O bairro crescendo. O progresso chegando. A valorização dos terrenos aumentando. Os primeiros prédios sendo construídos. Os campinhos de futebol rareando. E a grande maioria das casas sendo transformadas em comércio.
 
Ainda bem que as fotografias nos fazem reviver aqueles momentos, onde o ar cheirava a gerânio e giesta.
 
E-mail: roquevasto@gmail.com
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Publicado em 04/08/2014

Caríssimo Vasto, que belo e formoso "ritorno", vc estava fazendo falta com suas recordações... Gostei muito do que vc recordou, os bons e queridos tempos de fox, samba, chorinho, samba-canção, valsinhas etc. Parabéns, Vasto, seu texto é ótimo.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 04/08/2014

Roque muito bom teu texto que nos leva a tempos remotos lembrando como eramos felizes longe das modernidades de hoje com tanta tecnologia ,e facilidades para tudo.Foi assim num bailinho de fundo de quintal que comecei a namorar a minha amada com quem me casei a 56 anos atras.Lindas lembracas . Abracos Felix

Enviado por João Felix - jfvilanova@gmail.com
Publicado em 03/08/2014

Roque, infelizmente o progresso chegou também aquí no Ipiranga, bons tempos dos bailinhos nas poucas garagens que existiam, namoricos, parabéns pelo seu saudoso texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 31/07/2014

É gratificante ler uma bem elaborada crônica sobre Piraquara, que o tempo pretende apagar como referência histórica. Parabéns. Há uma pequena história deste local em: Piraquara e Campo Belo dos leiteiros

http://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/2919/Piraquara%2Be%2BCampo%2BBelo%2Bdos%2Bleiteiros

Enviado por Carlos Fatorelli - cafatorelli@gmail.com
Publicado em 31/07/2014

Roque,achei seu nome descolhecido dos que eu costumo ver,então li sua biografia e vi que sua última história publicada foi em 7/12/2012 (faz tempo!!!)já li algumas das quais me trouxeram muitas saudades dos tempos da minha infância e juventude pois você cita lugares e lojas em que eu também conheci e acumulei muitas lembranças e saudades...Ray Conniff ,Nico Fidenco,Ray charles,Pepino di Capri,Gigliola Cinquetti com o inesquecível DIO COME TI AMO e tantos outros que também encantaram a minha juventude no qual as músicas se tatuaram em uma parte do meu coração,e as vezes eu me pego cantando enquanto dirijo sózinha e envolta em tantas lembranças...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
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