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Categoria - Outras histórias Um velho livro esquecido na gaveta Autor(a): Nelinho - Conheça esse autor
História publicada em 25/09/2014
Acredito que muita gente tem em casa uma gaveta de um velho móvel onde são guardadas coisas das quais não cogitamos nos desfazer. Velhos cartões postais, contas pagas, panfletos diversos de pizzarias delivery, receitas médicas, propaganda de candidatos a presidente em eleições antigas, alguns recortes de jornais... 
 
No último sábado, resolvi vasculhar a minha gaveta e eliminar alguma coisa desnecessária e, no meio da papelada encontro um velho livro de poesias entitulado "Cancioneiro do Amor", publicado em 1952 pela Livraria José Olympio Editora. Fez parte da Coleção Rubáiyat, uma antologia organizada por Wilson Lousada. Ganhei essa preciosidade de uma antiga colega de trabalho chamada Dagmar. Tive o prazer de trabalhar com ela na firma Comissária e Mercantil Iris S.A, lá na Rua do Tesouro nº 47. 
 
Essa moça casou-se com outro amigo, de nome Geraldo Pereira, o qual além de trabalhar na administração da CMTC na Al. Nothman, também atuava como comediante na antiga TV Tupí, sob o apelido artístico de Gariba. Morava no bairro do Pari e nas horas de lazer jogava futebol no clube varzeano denominado Luzitano.
 
Folheando as páginas já amareladas pelo tempo, encontro uma folha de papel dobrada. Abro a folha e lá está um texto escrito pelo jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues. Fiquei imaginando o porquê de aquela folha estar no livro, seria para alguma namoradinha? Não consegui decifrar, mas como o nosso conturbado mundo está precisando de um pouco de poesia, para aguçar a nossa sensibilidade, tomo a liberdade de publicá-lo, diz o texto de Nelson:
 
"Se eu pudesse - se os deuses permitissem - teria assistido hoje ao teu despertar. E, então, teria feito uma festa de luz, de cor, de aroma. Eu transportaria para a tua alcova toda vibração musical da aurora, todo estremecimento solar. E teria enfeitado os teus cabelos com o mais lúcido e macio dos raios de luz; e teria espargido sobre os teus ombros o perfume mais suave da manhã; e teria prendido no teu riso a pétala mais diáfana. E, quando te levantasses, eu faria com que pisasses rosas frescas e voluptuosas; e assim teus pés teriam como que sandálias de perfume..."
 
Velhos textos, velhos livros, antigas lembranças que de vez em quando vem povoar nossa memória e nos transportam para momentos felizes de nossa existência.
 
E-mail: lt.ltesser@hotmail.com
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Publicado em 16/11/2014

Belo e curioso texto sobre o livro de canções e o bilhete encontrado.

Enviado por Flor de lótus - anamarisfigueiredo@gmail.com
Publicado em 06/10/2014

Nelinho, tudo bem? Ha anos procurando notícias do Gariba, dos primeiros comediantes da TV e estamos falando de 1950, 51.Eu gostava da interpretação de malandro que ele fazia, usando gíria o tempo todo. O Gariba era melhor do que muito vigário que continuou e virou monstro sagrado da TV e da Revista e quando digo monstro digo no sentido correto da palavra. Abraço do Ignacio

Enviado por Joaquim Ignácio de Souza Netto - joaquim.ignacio@bol.com.br
Publicado em 30/09/2014

Puxa, que lindo. Se não soubesse, jamais pensaria que fosse do Nelson Rodrigues. E que bom lebrar do Gariba.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 29/09/2014

Nelinho meu grande camarada, não me surpreendo mais com as coincidências que cruzam nossas existências. Sempre gostei de Nelson Rodrigues, também ganhei livros como prêmios escolares e, principalmente, fui muito amigo do Gariba nos tempos da Excelsior na Nestor Pestana.

Ele chegou a recitar um dos meus poemas no programa "SHOW DO MEIO DIA", e contracenamos em alguns programas dirigidos por Wilton Franco.

Valeu ler teu texto e me emocionar..

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
Publicado em 29/09/2014

Estas ocorrências deixam um sabor nostálgico em nossos corações, como se fora uma janela que, de repente se abre para um passado cheio de ternura, amor e poesia. Parabéns, Nelinho, vamos vasculhar velhas gavetas e, se tivermos sorte vamos encontrar alguma coisa emocionante como a sua.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 27/09/2014

Nelinho minha mãe faleceu a 17 anos e ela é quem guardava todas as relíquias da família,desde fotos,cartas escritas pelas minhas tias,roupinhas do batizado minha e de alguns dos irmãos ,o primeiro sapatinho do meu irmão mais velho e do caçula,letras de músicas LPS de vinil,vitrola antiga,lembranças dadas por vizinhos de décadas etc... etc...Quando ela se foi,eu estava com a vida em frangalhos e envolvida em uma tristeza imensa...com isso pedi para meus irmãos levarem tudo que eu não queria ficar com nada,só as lembranças dela viva.Pois bem eles não só levaram como deram fim em tudo achando que eram apenas lixo.Hoje tenho uma vontade imensa de rever aquelas fotos branca e preta tão antiga das minhas tias dos meus primos e de vizinhos que fizeram parte da nossa vida...Porém nada restou e eu lamento muito!!!

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 27/09/2014

Que preciosidade você encontrou. Parabéns Nelinho, viu como vale a pena guardar.

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 26/09/2014

Nelinho, muito lindo o seu texto. Oportuníssimo nesses tempos de pouco lirismo, de pouca compaixão e de narcisismo absurdo. Mas eu também sou assim: tenho muitas anotações guardadas, cartões, cartas, e tudo isso faz da gente seres melhores, porque respeitamos o passado e as pessoas que o ajudaram compor. Parabéns mesmo, Nelinho. Gostei muito. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 26/09/2014

O Nelson Rodrigues devia estar num momento super especial para escrever esta poesia. Quem a guardou por anos e anos idem. Rs.

Enviado por Marina Moreno Leite Gentile - dagazema@gmail.com
Publicado em 25/09/2014

Nelinho

Que bom que você encontrou essa folha de papel dobrada em um livro de poesias descansando solitário em uma gaveta de seus pertences. Pude com isso, ler e me maravilhar com o lindo "se eu pudesse" de Nelson Rodrigues. Só mente sublime consegue extrair de dentro d'alma, momentos de ternura que consta no texto. Abraços - Capuano

Enviado por Roberto Capuano - robertocapuano@grafixdigital.com.br
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