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Categoria - Outras histórias Olarias, tijolos de barro e a família Moreno Polido Autor(a): Marina Moreno Leite Gentile - Conheça esse autor
História publicada em 12/11/2014
Esta história foi possível porque um de meus tios, em um momento de nostalgia, confidenciou para mim a saudades daquele tempo. 
 
Muitos descendentes da família não tem ideia de como os pioneiros trabalharam. Tentarei aqui descrever uma fase importante, não só para a minha família como também de muitos outros, que vivenciaram o que é uma olaria de tijolo.
 
João Moreno e Miguel Moreno trabalhavam na olaria de um vizinho. Acordavam às 4 da manhã, tomavam o café, seguiam para a jornada.
 
Um dia, João falou com o seu pai (de mesmo nome) sobre a possibilidade de investirem em uma olaria própria. Era necessário construir um forno, adquirir equipamentos para preparar o barro, formas, bancadas, etc.
 
Como o pai tinha receio de que pedissem demissão, os dois irmãos trabalhavam em duas jornadas. Primeiro cumpriam o horário normal do serviço fixo. Após o expediente eles trabalhavam na sua pequena olaria, construída defronte a cada da família, no sítio.
 
As vendas se iniciaram e todos ficaram animados, aos poucos ampliaram a olaria. Depois construíram outra, depois outra. As mulheres, filhas, vizinhos, todos participavam na produção dos tijolos. Cada um participava de uma atividade. Quanto mais trabalhavam, mais ganhavam. Era duro aquele trabalho. 
 
Muitos caminhões de tijolos foram entregues na região de São Paulo, Franco da Rocha, Francisco Morato, Pirituba e adjacências. Muitos milheiros de tijolos passaram pelas mãos calejadas dos irmãos do sítio de João Moreno.
 
Com o falecimento do pai João Moreno, na década de 70, os irmãos ficaram órfãos também nos negócios, mas as olarias continuaram.
 
Depois de um tempo, a construção de blocos de cimento começou a tomar espaço no mercado, até que todas as olarias foram desativadas.
 
Certo dia, muitos anos depois das olarias serem desativadas, eu fui na casa de uma avó e vi um pato tomando água em uma forma de tijolo. Pedi para a minha avó aquele acessório, o conservo desde a década de 90. Agora este acessório ficará com um de meus filhos, que será diplomado como engenheiro civil.
 
A família de São Paulo continua no segmento da construção civil, deixando sua marca em inúmeros lares.
 
Esta é a minha homenagem aos meus tios queridos que colocaram suas mãos no barro, com coragem, respeito, e sobretudo com a vontade de vencer honestamente.
 
João, Miguel, Elias, Conceição, esposas e primos, a todos eles o meu carinho.
 
E-mail: dagazema@gmail.com
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Publicado em 21/11/2014

Muito bem, Marina. Parabéns a todos vocês. Não é fácil mesmos trabalhar com barro.. Nem imagino o esforço ao se levantar às 4 de la matina para um trabalho tão pesado. Mas assim as famílias se forjavam, no trabalho árduo, no suor e na união. Parabéns mesmo,com orgulho dessa história, de tantos, milhares de brasileiros. Parabéns para você, que resolveu - e muito bem - eternizar a família. Beijos.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 18/11/2014

Conheci uma olaria onde um irmão da minha sogra trabalhava em Bariri,era tudo tão simples e pobre que saí de lá cabisbaixa e com muita pena daquêles trabalhadores...Esta homenagem é muito merecida ao seu tio e aos filhos que ainda conseguiram seguir mais um tempo com este árduo trabalho...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 16/11/2014

Também tive um tio que criou toda sua família com uma olaria, nós quando crianças amávamos visitá-lo e lembro bem do trabalho dele e de meus primos. Ficava em Barão Geraldo - Campinas- SP

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 16/11/2014

Parabéns pela linda e interessante história,Marina. Muitos imigrantes introduziram e trabalharam com olaria em São Paulo. Ainda estou utilizando o e-mail anterior também.Não conseguia entrar no Site com ele.

Enviado por Flor de lótus - anamarisfigueiredo@gmail.com
Publicado em 13/11/2014

Marina, bela e merecida homenagem az quem foi precursor de um bairro e fornecedor de tijolos de barro, aqui na Estrada de Itapecerica da Serra, nos bairros de V. das Belezas, Prel, Campo Limpo e outros nas decadas de 50 e 60 era o que mais tinha, olaria puxada a cavalo e burro por todo lado fabricados de formais simples, mas funcionava, depois dos tijolos de cimento e baiano, tudo mudou, parabéns,Estan.

Enviado por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com
Publicado em 13/11/2014

Magnifico roteiro de uma família que vingou suas expectativas de forma brilhante.

Um texto louvável, com informações, ilustradas pela persistência de uma clã em busca da bem aventurança. Parabéns. Marina

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 13/11/2014

Marina, você descreve com palavras simples a linda história da família de trabalhadores que construiram um futuro brilhante, parabéns pela homenagem e pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
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