Leia as Histórias

Categoria - Outras histórias Fui roubado Autor(a): Vitor - Conheça esse autor
História publicada em 08/01/2015
Não é paranoia. Estou fincado na terra, meus pés entraram pelo chão, ergueu-me me tornando um torrão de rocha. Meu pescoço sobressai ao redor da cidade, deste modo assisto o sorriso dos vizinhos, contemplo a Avenida Paulista com suas diversidades de razões e também a 23 de maio. Ah, a 23 de maio! Ela me assusta com os carros e motos infernais…
 
O aeroporto de Congonhas faz rota no pico da minha toca e os seus rugidos capinam a cera das orelhas.
 
Não estou louco. Estou preso numa inutilidade de quatro paredes; sou prisioneiro num aquário transparente, enxergo os quatros cantos do mundo, mas não consigo dar um passo, ainda que seja aqui do meu lado no parque do Ibirapuera. 
 
Queria tanto tocar no monumento da Bandeira, dizer para eles: deixa que eu empurre (como disse Vistor Brecheret). Não posso. Sou prisioneiro num Estado cheio de transportes, carros, aviões e bicicletas…
 
Não é paranoia e nem síndrome alguma, mas venho sendo roubado aos pouquinhos… Quase nada me resta! 
 
Até dormindo sonho e nos sonhos a anarquia é tão real que eu clico em mim e vou direto para página do face. Que fosse 5, 10 minutos, normal, não afetaria! 
 
Acontece que estou vivendo em função de curtir e postar, postar e curtir…
 
Trata-se de um roubo arquitetado pela internet. Sem que percebesse fui entrando pelos canudinhos das teclas, passo a passo para o circuito adentro.
 
A tela plana pula para os meus olhos dai por diante já não percebo mais o cérebro. Quando em vez as minhas mãos sobem para coçar o couro da cabeça, até nesta hora o ansiedade reclama pelos segundos como se a perda do tempo não fosse minha.
 
Socorro… Fui roubado. Se alguém me encontrar, me mande de volta pela caixa de mensagens.
 
E-mail: j.vlemes@ig.com.br
Localização da história
Login

Você precisa estar logado para comentar esta história.

Antes de Escrever seu comentário, lembre-se:
A São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!
Publicado em 16/01/2015

Vitor, se me permite aconselho você a se libertar dessa loucura da informática, caminhe a pé pelos parques, leia bons livros, livre-se do maldito celular e procure ver a cidade com outros olhos, quem sabe você descobrirá bons momentos, parabéns pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 09/01/2015

Uma coisa é poder fazer, outra não poder, outra, ainda se deixam e pra encerrar, se vc quiser. Tenho meu computador, uso quando quiser, quando posso, tenho minhas leituras, meu tempinho pra uma sinuca, duas vezes por semana. Liberdade total. Agora, se vc, Victor, está fazendo um simúlio de sua existência, narrando metáforas adipopéticas, encontro vc tentando vencer as escarpas das falésias da existência de todo ser humano, aí, meu velho, cada um tem sua maneira de solucionar. Parabéns pelo texto.

Modesto

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 08/01/2015

Infelizmente, não só você mas toda uma infância e juventude está sendo roubada e tendo uma vida mais virtual que real.

Uma lástima, mas podemos lutar contra a maré, não entre neste tal de What zap, isso contagia .

Enviado por Julia Poggetti Fernandes Gil - gibajuba@yahoo.com.br
Publicado em 08/01/2015

Vítor, meu santo, não se permita isso. tenho certeza de que você vale muito. Não se perca em curtidas. Acredito que a maior parte delas não seja lá tão verdadeira assim. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 08/01/2015

Muito louco e muito profundo...parece que você explicou a vida como ela é em apenas algumas palavras...Esta é a sua e a de milhares de pessoas que sem ter ou ver outra opção trocaram tudo por teclas...

Eu pessoalmente não suporto este mundo novo que não se ouve não se fala e nem se toca...tudo é nas teclas...Pensava que só jovens pegaram esta epidemia,mas ela se alastra silenciosamente sugando a cada momento mais vítimas e de todas as idades...Sou um ET que usa o computador durante o dia no trabalho e a noite nem olho para ele,e o meu celular? ai que vergonha do pobrezinho que nem internet tem,mas para eu me comunicar ou receber comunicação é o que me basta.

Da mesma forma estranha que olham para mim sem este apego de redes sociais,eu estranho os que vivem grudados nela...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
« Anterior 1 Próxima »