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Categoria - Personagens Fim de mistério Autor(a): Luiz Simões Saidenberg - Conheça esse autor
História publicada em 08/12/2014
Escrevi, já faz tempo, “Balada para um louco”. Inspirado na música de Piazzola, era o segundo capítulo, iniciado com “A Voz da Lua”, sobre uma estranha senhora do Brooklin e sua misteriosa casinha. Contei que a tínhamos visto passar várias vezes pelas ruas do bairro, algumas vezes bem composta e tranquila, e outras andrajosa e desvairada.Tudo isto foi publicado neste site.
 
A casinha, meio arruinada e com as portas abertas, continuava numa das quadras da movimentada Rua Califórnia. Como a dona, às vezes limpa e arrumada, outras com lixo e restos de comida na frente, com alguns gatos de permeio. Animais bonitos, pretos e brancos. Bem, ao menos a senhora gostava de animais, e isto sempre é um bom sinal.
 
Ficamos um bom tempo sem passar por ali nas nossas caminhadas matinais. Mas sempre que passávamos de carro, uma olhada na casa.  Ultimamente, modificações. Para melhor, ou a situação teria se degringolado? Uma van estacionada no jardim, pilhas de madeiras. Estaria a casa em reformas? A dona continuava ali?
 
- Acho que se foram - disse minha mulher. 
 
Hoje passeamos pelo pedaço, e realmente a casa estava desabitada, com muita madeira espalhada pela frente. Finalmente, coisa que há muito gostaria de ter feito, interpelei um simpático senhor que guarda o portão de uma casa vizinha, a qual, segundo contou ele, é uma clínica. E psiquiátrica, por curiosa ironia.
 
- Morreu - disse ele - A coitada bebia demais... foi cirrose. 
 
E entrou em detalhes, realmente espantosos, de uma vida que jamais imaginaríamos.
 
Ele a conhecia, e também sua família, há vinte e cinco anos, tempo no qual guardava o portão da clínica. Gente distinta, ela fora professora de inglês e piano, e também professor tinha sido seu pai. Nos primeiros tempos, passava imponente, sem olhar para ninguém. Mas, com a separação do marido, entrou em depressão e iniciou-se na bebida sem controle.
 
E não tinha jeito, às vezes estava sóbria e tudo normal. Mas retornava ao vício, piorando cada vez mais. Então não era louca, como supusemos, mas o uso do álcool foi-lhe danificando o cérebro. Há umas semanas foi encontrada desacordada na casa. Levada a um hospital, faleceu em oito dias.
 
- Foi melhor assim, disse o guarda. 
 
- Mas, e os gatos? - perguntei, preocupado com os animais. 
 
Ele havia adotado um deles, e bondosos vizinhos se encarregaram de acolher os outros dois.
 
E assim termina a história da casa do mistério. Capítulo final de um caso que nos intrigava há anos. Despedimo-nos do bom Sr. José, que continuará guardando o portão da clínica, como faz há tanto tempo.
 
Acabou-se a história, morreu a Vitória; quem quiser que conte outra história.
 
E-mail: lssaidenberg@gmail.com
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Publicado em 15/12/2014

Muito obrigado, amigos. Mistérios não faltam neste nosso mundo, às vezes na trivialidade do cotidiano, bem perto de nós...abraços.

Enviado por Luiz Simões Saidenberg - lssaidenberg@gmail.com
Publicado em 13/12/2014

Fim do mistério Saidenberg. Pena que foi um final triste.

Enviado por Marcos Aurélio Loureiro - marcoslur_ti@yahoo.com.br
Publicado em 12/12/2014

Que bom que você retornou, Luiz. Sempre com um caso muito bem escrito e que nos convida ao deleite de uma boa leitura. Parabéns. Um abraço.

Enviado por Vera Moratta - vmoratta@terra.com.br
Publicado em 10/12/2014

Luiz, felizmente você retorna ao site com seu inegável talento de escritor/publicitário, desta vez para elucidar um mistério da casa misteriosa, parabéns pelo retorno e pelo texto.

Enviado por Nelinho - lt.ltesser@hotmail.com
Publicado em 10/12/2014

Lembrei do glorioso Moacir Franco com esta música "Balada de um louco" mas tem coisas que nos intriga quando passamos sempre no mesmo lugar...

Enviado por Walquiria - walquiriarocha@yahoo.com.br
Publicado em 10/12/2014

Oi, Saidenberg feliz retorno, seja bem vindo nesta volta. Li a primeira parte dessa crônica e lembro bem da historia. A vida é cheia de surpresas, as vezes alegres, outras curiosas e algumas com finais tristes. Sempre inesperada. Parabéns, Luiz e um forte abraço.

Laruccia

Enviado por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@hotmail.com
Publicado em 08/12/2014

Valeu Saidenberg, ao mistério que nos intrigou durante tanto tempo está resolvido. Vamos atrás de nova intriga?

Enviado por Miguel S. G. Chammas - misagaxa@terra.com.br
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