:: Um meteorito caiu em São Paulo ::Categoria: Paisagens e lugares Autor(a): Carlos Fatorelli | história publicada em 09/04/2009
Meu amigo Bubele, apelido carinhoso de criança, era um alemão pesquisador da natureza, que fez parte da tripulação do navio Windhuk, que no auge da Segunda Guerra Mundial aportou em Santos, sendo a embarcação confiscada pelo governo de Getúlio Vargas.
Morava em Parelheiros e sua sala era composta por uma biblioteca com algumas preciosidades, em que ele, na sua vontade em aprender cada vez mais, extraía informações de seus livros. Falava que ali perto havia a Cratera de Colônia, nome de uma cidade da Alemanha, nome dado pelos imigrantes alemães também neste local em São Paulo, que os acolheu em 1827, quando tudo isto era Santo Amaro. Parelheiros está localizado entre o bairro do Grajaú e Marsilac, já próximo da encosta do litoral paulista. A cratera tinha sido resultado de um impacto raro há alguns milhões de anos, feito por um meteorito, caso "sui generis", talvez único até no continente sulamericano. Suas cercanias atualmente estão voltadas a estudos de preservação do meio ambiente e a condição da habitação, afinal os pássaros têm ninhos, as raposas têm tocas e o homem também necessita de moradia. Esta área foi gradativamente assumindo características de um bairro de quarenta mil habitantes, que vivem na cratera formada pelo impacto deste meteorito, possuindo dimensões de mais de três quilômetros de diâmetro com profundidade máxima de quatrocentos metros, com características do solo de terra escurecida diferenciada de toda existente em toda região, que atraiu a pesquisa científica, recolhendo amostras para análise do local e retirar alguma conclusão do fenômeno. Neste local, nas proximidades referidas, fomos trabalhar para a indústria fabricante de bicicletas "Caloi", no Centro de Detenção Provisória de Parelheiros, ladeado pela mata, cercado por altas muralhas, com arame farpado e corredor de vigia. Fazíamos manutenção de mesas para montagem de raios em seus respectivos aros das rodas, que eram recolhidos por caminhão baú, no fim da tarde. Grandes portões separavam os pátios, onde no primeiro havia pequena criação de carneiros de lã marrom, e num segundo portão, depois de passar por detectores de metais, entrávamos na área de trabalho do presídio. Era uma verdadeira produção planejada, dando aos detentos o direito de cada três dias trabalhados recuperarem um dia da penalidade. Tudo isto estava ali aos nossos olhos, próximo daquela bela vista verdejante, observávamos o local desta peculiaridade de proporções gigantescas do impacto, que nos tornávamos tão pequenos no espaço de onde surgiu o fenômeno. Os projetos de preservação para este lugar natural, que os moradores possuem carinho todo especial pelo local, está fazendo parte da rotina de muitas pessoas que sabem, inclusive, da real importância e da necessidade de preservação ambiental e do seu valor histórico do local, denominado condomínio Vargem Grande; podendo ser área turística sem acarretar prejuízos futuros aos moradores e fomentar o potencial econômico com desenvolvimento sustentável, habitado por trabalhadores paulistanos. Meu amigo foi embora para o céu, de onde veio o meteorito, lá ele deve estar contando estas belas histórias da Terra, inclusive da Cratera da Colônia! e-mail do autor: cafatorelli@gmail.com |
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:: COMENTÁRIOS :: Tive o prazer de me tornar amigo de um tripulante deste navio, Sr, Egon que durante o período que esteve em santos eles sabotaram o navio antes de serem presos num campo de concentração aqui no interior paulista, onde só foi libertado no fim da 2ª guerra. O Sr. Egon só voltou para a Alemanha uma unica vez sendo que estabeleceu residência no Brasil ( S.P ). Era Cabelereiro, profissão que exercia no navio. [ Enviado em 31/08/2011 por Vagner Kogikoski - condpanamericano@gmail.com ] ¨Maravilha ¨Fatorelli,nunca a mídia comentou sôbre este fato em Parelheiros, a qual deveria ser motivos p/ estudos científicos,quanto ao seu amigo Bubele,é que em Alemão ¨Bubi ¨quer dizer ¨garoto ¨ ;e o navio Alemão ¨Windhuk ¨que quer dizer ¨Canto do Vento ¨ saiu p/ um cruzeiro,em 1939,aí eclodiu a II Guerra Mundial,êles não podendo retornar à Alemanha,desceram o Atlântico p/rótas alternatívas,não usando ¨RADIO ¨e optaram p/ uma nóva Pátria (Brasil) escolhendo o pôrto de Santos,(São Paulo) [ Enviado em 23/03/2010 por Sérgio Augusto Patané - saugustopatane@yahoo.com.br ] Prezado Carlos, Parabens e obrigado pelo seu relato, pois apesar de ser paulistano perto de 71 anos,jamais fiquei sabendo dessas ocorrências [ Enviado em 14/04/2009 por Arthur Miranda - 27,miranda@gmail.com ] Uma história que vem enriquecer nosso conecimento. Não sabia da tal cratera. Parabéns pela aula. Pedro Nastri [ Enviado em 14/04/2009 por Pedro Nastri - p.nastri@yahoo.com.br ] Caro Fatorelli, fico grato pela bela narrativa. Confesso que desconhecia 110% do contado, embora saiba que neste espaço temos a preciosa oportunidade de novas descobertas, como essa agora já não mais ignorada. Novamente, obrigado. Abraço, silvio [ Enviado em 13/04/2009 por silvio de lima - festivalgramado@hotmail.com ] Carlos, bela historia, eu desconhecia este acontecimento.Um abraço. [ Enviado em 13/04/2009 por margarida p peramezza - peramezza@ajato.com.br ] Curiosa e emocionante narrativa de uma ocorrência que eu ignorava, até agora. Muito bem detalhada servirá de referência, pra mim nos comentários. Parabéns, Fatorelli. Modesto [ Enviado em 11/04/2009 por Modesto Laruccia - modesto.laruccia@terra.com.br ] Carlos, gostei da sua historia sobre a cratera de Colônia. Que seu amigo alemão descance em paz. Nos anos 60, 70, 80, passei muitas vezes pelo Jardim São Luiz, pela Estrada de Itapecirica, pois frequentava o Clube de Campo dos funcionários do Banco do Brasil A estrada ainda não era asfaltada. Me traz boas recordações. um abraço Milve [ Enviado em 10/04/2009 por milve antonio peria - milveperia@hotmail.com ] Legal, Fatorelli. Não sabia que a colonia alemã tinha sido montada numa cratera. Um radical alemão certamente desejaria tal cratera cheia de chope.Abraço. [ Enviado em 10/04/2009 por Luiz Simõess - saidenberg@ajato.com.br ] Fatorelli: A geologia paulistana e paulista tem muitos fatos interessantes, como esse que vc narrou. Pena que são poucos divulgados. A sua é uma lembrança interessante e instrutiva. Abração, Natale. [ Enviado em 10/04/2009 por Wilson Natale - wilsonnatal@uol.com.br ] |