:: A Torre do Banespa ::Categoria: Paisagens e lugares Autor(a): Neuza Guerreiro de Carvalho | história publicada em 26/5/2006
Se você é paulistano e ama a sua cidade, certamente a conhece bem e já deve ter subido à Torre do Banespa. Se ainda não esteve lá, tem a obrigação de ir, para ver a sua cidade de um outro ângulo e, se tiver curiosidade, viver um pouco de sua história.
As visitas acontecem todos os dias úteis das 10h às 17h.Só no mês do aniversário da cidade é que nos fins de semana está aberta à visitação pública. A Torre é nos altos do que já foi a sede do Banco do Estado de São Paulo, na rua João Brícola, entre as ruas Boa Vista, Quinze de Novembro e Praça Antonio Prado. Chega-se lá facilmente pelo metrô descendo na estação São Bento. Já começamos aí com um pouco da história de São Paulo. A Rua João Brícola estava no centro financeiro da cidade na década de 30 e foi o lugar que o Banco do Estado de São Paulo escolheu para sua sede. Já havia estado no "centro novo" em um prédio em frente ao Teatro Municipal (depois abrigando o Mappin),mas longe do mundo do dinheiro. Fez uma troca com a Santa Casa de Misericórdia que ficou com o prédio da Praça Ramos de Azevedo (que até hoje é dela) cedendo seus terrenos da João Brícola. O prédio começou a ser construído no final da década de 30 (1939), levou 8 anos sendo construído e foi inaugurado em junho de 1947. É todo em concreto armado, 17.951 metros quadrados construídos, tem 161,22 metros de altura, 35 andares, 14 elevadores, 900 degraus e 1119 janelas. Durante 20 anos foi o prédio mais alto da cidade. Tem também o privilégio de estar situado em um ponto alto do centro velho. Recebeu o nome de Edifício Altino Arantes em homenagem ao primeiro presidente brasileiro do banco. Depois da privatização em 2000 quando passou para o grupo Santander - Banespa, deixou de ser sede bancária passando a instituição cultural com um Museu da Instituição e uma Biblioteca. Ao seu lado hoje há o banco Santander em uma construção super moderna, toda em vidros pretos com heliporto balizado. Conhecendo um pouco da história do edifício, procure a fila de entrada que pode ser pequena, média ou grande, dependendo do dia, da hora. Documento na mão, enquanto espera para ser cadastrado e identificado, torça para que a fila esteja grande para poder admirar o belíssimo saguão. Ele tem quase 400 metros quadrados, paredes de mármore de 16 metros de altura e piso de granito decorado com brasões de bronze. Muito belo é o seu grande lustre de cristal nacional em estilo "decô-eclético" com 13 metros de altura, 2 metros de diâmetro e dez mil peças de cristal pesando uma tonelada e meia. Ainda no saguão, um grande painel com pinturas representando cenas do cotidiano de uma cidade de outros séculos, ocupa toda a largura da fachada. . Agora, começa a subida. No primeiro elevador, você irá até o 26º andar. Uma baldeação e o novo elevador o levará até o 32º andar. E então, dois lances de escada o esperam para serem subidos a pé os 41 degraus. Uma sala com fotos e livro de presença, permite um pequeno descanso. E mais uma escada, agora em caracol com 18 degraus. É então que se chega ao terraço da torre. Bastante estreita dá saudades de seu vizinho terraço do Martinelli. Ainda há mais uns 15m com escada em caracol, que só podem ser usadas pelo Corpo de Bombeiros para hastear as bandeiras; paulista em dias comuns e paulistana no mês do aniversário da cidade. A cada dois ou três meses são trocadas ou porque perderam a cor com o sol ou porque ficaram esfarrapadas pelo vento constante. Você chegou ao terraço e se tiver curiosidade vai não só ver São Paulo de um outro ponto de vista, mas vai conhecer a história da cidade através de cada um dos pontos observados do alto. Fazendo uma "viagem" rotacional de 360 graus em sentido horário começando logo à saída da porta, em direção Oeste, pode-se ver: . A descida da Avenida São João partindo da Praça Antonio Prado com seus jardins bem cuidados, ladeada pelo Martinelli, Banco do Brasil e o próprio Banespa. . Os altos do Edifício Martinelli com a casa que pertenceu e onde morou o Comendador Martinelli, seus belos terraços e anexos. . Um pedacinho do Vale do Anhangabaú com o chafariz decorativo na intersecção com a Avenida São João . A Avenida São João e uma pequena parte do Correio. Ainda para o lado direito vê-se: . O Viaduto Santa Ifigênia, irmão menor do Viaduto do Chá, construído em 1913 com projeto arquitetônico de dois italianos, Giulio Michetti e Giuseppe Chiaropi. Gradis da belle époque todo ele com peças belgas e montadas aqui mesmo. Seu piso decorado recentemente é uma das belas visões da cidade. . A continuação do Vale do Anhangabaú com a passagem subterrânea (vulgo buraco do Ademar) em direção ao Norte numa última urbanização com o piso desenhado e priorizando o deslocamento de pedestres. Continuando à direita veja: . Mercado Central obra também de Ramos de Azevedo inaugurado em 1933 e agora totalmente remodelado. . Edifício São Vito - a maior favela vertical da cidade atualmente vazio e que divide opiniões quanto à sua recuperação ou implosão. . Parque Dom Pedro II, com os viadutos que compõe o sistema viário da região, nem de longe lembra a antiga Várzea do Carmo, com seus problemas de inundação do rio Tamanduateí suas urbanizações, sua Ilha dos Amores de 1872. . Palácio das Industrias um prédio de arquitetura eclética inspirado no castelo Sforzesco de Milão, construído pelo escritório de Ramos de Azevedo segundo um projeto de Domiziano Rossi. Recém inaugurado, sofreu com a Revolução de 24 quando foi alvo de bombardeios. Até o começo de 2004 abrigou a Prefeitura. . Casa das Retortas que no fim do século XIX pertencia à The São Paulo Gás Company e onde o carvão era queimado em altíssimas temperaturas para desprendimento de gás usado entre outras coisas na iluminação pública; . O Gasômetro - depósito cilíndrico tão característico dessa parte da cidade, não se vê mais. Acho. Não consegui vê-lo. Construído em 1926 para armazenar gás de baixa pressão, era um ponto de referencia. Desativado em 1997, hoje tem apenas um de seus quatro níveis cheio de Gás Carbônico para evitar que o equipamento estrague. Com seus 56m de altura, 60m de diâmetro e capacidade de 56 mil metros cúbicos, era visto por todo o Brás e Mooca, no seu vai e vem para cima e para baixo. O pessoal da minha infância dizia que os gases serviam para quem tinha bronquite e sempre levava crianças doentes para a região. . Complexo viário da Avenida Rangel Pestana com a Secretaria da Fazenda, e mais longe a rua da Figueira (antiga chácara da Marquesa de Santos) com o antigo hospital Dom Pedro II Continue andando para a direita e veja: . O Páteo do Colégio . Os dois prédio quase iguais das atuais Secretarias de Justiça, e o Primeiro Tribunal de Alçada onde também funcionou em outros tempos a Bolsa de Valores, três obras de Ramos de Azevedo . A Praça da Sé em sua totalidade, com o Palácio da Justiça à esquerda sobressaindo atrás dele o Fórum novo, já na Praça João Mendes . A bela Catedral em todo seu esplendor . . O principal Corpo de Bombeiros da cidade. Ainda à direita . O Edifício Joelma, em um ponto "fantasmagórico" da cidade: cenário de um crime famoso em 1948, anos depois quando no terreno já existia o prédio este foi em 1974 quase destruído por um grande incêndio onde morreram mais de 300 pessoas. . O "Banespinha" antigo Prédio dos Condes Matarazzo, depois sede do Banespa e atualmente sede da Prefeitura Municipal da cidade de São Paulo. No seu topo um jardim, em pleno centro que ocupa uma área aproximada de 300 metros quadrados com vegetação exuberante. Está em reforma. . O edifício do Banco do Brasil, bastante alto, fecha o círculo. Infelizmente não se vê o Teatro Municipal e só se vislumbra a parte final do viaduto do Chá. Agora você já pode descer satisfeito de ter conhecido uma cidade diferente daquela em que você transita todo dia. |
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:: COMENTÁRIOS :: Muito boa sua narrativa, vou lá visitar esta torre, parabéns. [ Enviado em 18/4/2009 por laércio zago - aiuto@ibest.com.br ] Cara Neusa,achei muito boa sua explanação sobre o prédio Altino Arantes,porém deve ter esquecido de citar que o ultimo andar e a torre envidraçada era a antena e os escritórios de meu tio Mario Alderighi,diretor tecnico da PRF3-TV Tupy. [ Enviado em 3/4/2009 por Igor Demetrio Dembitzky - dddemetrio@gmail.com ] as agencias de turismo receptivo deveriam ler istoe incluir nos seeus programas esses pontos historicos da cidade. Mas ainda estãop faltando outros pontos dignos de visitação.Encanta-me o predio da Estação da luz.Em 1942 {convocado para servir em Zona de Guerra Mato Grosso, que poucos brasileiros..sabem!) embarquei pela Sorocabana,rumo a Aquidauna. Iriamos aguardar a invasão do Brasil pelo Paraguay Hitler e Peron estavam sonhando!Isso nada tem haver com seu brilhante trabalho. Parabens [ Enviado em 20/3/2009 por orlando da fonseca - orlandodafonseca@hotmail.com ] Gostei muito do roteiro Neuza, dá mesmo vontade de ir lá, só tem uma coisa, liguei e me disseram que de final de semana, só abrirá dia 25/01/2009, os demais finais de semana deste mês de janeiro não. Fica o recado á todos os interessados, se quiserem ligar Tel. 3249.7180...Vou visitar sim! Inclusive tenho uma historinha de lá...Como é muito alto e sempre esteve iluminado minha mãe dizia que era a casa do papai noel, nós nessa época moravamos na Tiradentes e de lá dava p/ ver a torre rsrsrsr fiquei muitos natais brigando c/ o sono só p/ ver o papai noel sair de lá rssrsr e, agora será muito emocionamente visitar sua casa rsrsrs vou lá e depois conto como é rsrsrs [ Enviado em 16/1/2009 por Adriana - drika1973@gmail.com ] Como não poderia deixar de ser, retornei com mais uma turma de alunos para outra aula passeio, foi um sucesso e mais do que isto, os alunos conseguiram localizar varios pontos importantes da cidade antes discutidos em sala de aula. Acho muito importante este tipo de dinâmica porque o aluno viviencia na prática a história e tem mais facilidade de absorção das aulas. Recentemente fomos em outra aula passeio na COMGÁS, vários alunos logo identificaram o Prédio do Banespa e faziam comparação com a distância, tamanho. Para eles ficou como um ponto de referência. Muito Obrigado aos organizadores. Prof(a) Thelma [ Enviado em 8/11/2008 por Thelma Garbini - ultimoano2008@hotmail.com ] Fazemos parte desta historia( nossa empresa forneceu o granito (rosa são Vicente)da fachada com 16 cm de espessura e o piso da entrada em granito de 5 cm de espessura.Tambem fizemos a restauração dos marmores e granitos em 1974. Nossa firma faz parte da historia das grandes obras de São Paulo. Dos predios comentados tambem fizemos serviços np antigo Matarazzo, todo de marmore Italiano e a Fachada do banco do Brasil em Granito Verde Ubatuba. A galeria Prestes Maia ( Baixos) fora feita a passarela subterranea antiga recebedoria da prefeitura onde temos a estatua da Guanabara e um painel trazeiro todo em verde ubatuba, alem de todas as escadarias do viaduto do Cha, executados de 1938 durante o governo do Prefeito Francisco Prestes Maia.A construtora era a Sociedade Comercial e Construtora da Familia Amaral, que fora Presidente do Club Paulistano. A sede dessa construtora ficava na Rua General Jardim. Quanto ao buraco do Ademar, este não mais existe, fora modificado e tornou-se hoje totalmente diferente, e quanto ao paissagismo do vale, este fora executado pela Prefeita Liiza Erondina, e a Parte de Granito executado pela empresa Modedo com a nossa parceria.( a Construtora Fora a Andrade Gutierres. Gostaria que voce tambem escreva sobre os monumentos de São Paulo, seus escultores e empresas colaboradoras. não é propaganda mais divulgação de uma empresa fundada em 1926 que ajudou a construir São Paulo a qual me orgulho de continuar a historia de seus fundadores Nilton- 29547000 ( empresa JERONIMO AZEREDO Marmores e Granitos Ltda) [ Enviado em 9/8/2008 por nilton azeredo - niltonmarmore@ig.com.br ] Bom, estive aí uma vez, e achei muito interessante o centro de São Paulo. Só estive aí a passeio da escola, mas quando puder vou para um longo passeio e para aproveitar! [ Enviado em 6/8/2008 por Bianca - bih_sb@hotmail.com ] Estive com alguns dos meus alunos para uma visitação. Foi uma aula passeio. Eles adoraram até porque antes tivemos uma explicação em sala de aula. Nada comparado com uma aula presencial. Vou em breve levar outro grupo. Thelma [ Enviado em 26/7/2008 por Thelma Garbini - thelmagarbini@yahoo.com.br ] Bom,tenho 15 anos sou paulistano e sempre que posso vou para o centro da cidade::por quê? adoro minha cidade e tenho ''orgulho dela,por ser a maior cidade da Améria do Sul. E quanto ao edificio :altino arantes ;tenho muita ''admiração pela grandeza e principalmente pela 'arquitetura dele... [ Enviado em 11/1/2008 por Felipe - felipe_san_T@hotmail.com ] Através de um amigo conheci a torre ,para mim foi uma visão maravilhosa,mais ainda emoção de morar em uma das CIDADES mais bela , no entanto este meu amigo é Artista Plastico e neste dia ele me disse vou pintar um a pedacinho de SP e também a TORRE, e assim ele fez, e mandamos email e fotos , e esperamos anciosos que ele fará uma exposição n a torre, espero que voces olhem com carinho os trabalhos que foram enviados e enviem uma resposta. ABRAÇOS [ Enviado em 19/9/2007 por naza - nazare1958@hotmail.com ] ainda não conheçi mas estou me progamando para ir ver com meus filhos 10 e 12 anos. [ Enviado em 5/9/2007 por Rogério cury - rogersushi@hotmail.com ] -Moro em São Paulo há 20 anos. E tive o feliz privilégio de conhecer o predio do BANESPA, fiquei maravilhado com o que vi,e só me fez amar mais ainda a nossa cidade. -Parabéns a NEUZA GUERREIRO pela excelente matéria, é o que precisavamos pra conhecer também a história deste magnífico PREDIO. Parabéns!!! [ Enviado em 14/8/2007 por Ivan - broomer.ivan@gmail.com ] O texto está ótimo, só acho que deveria revizar o 6° §. A Frase sobre a fila ficou estranha. [ Enviado em 19/7/2007 por Lorena - lolo!@yahoo.vom ] ainda na Rua Joao Brícola em direção a rua da Sé estava a confeitaria Castellões que era famosa pelos doces,queijos etc e pessoas que ali frequentavam. A casa Castellões pertencia a meu bisavô Carlos Rigat avô de minha mãe e tenho ainda alguns recortes de jornal datada de 1902 falando sobre a confeitaria e o livro de receitas de meu bisavô que ele trouxe da Italia (em codigos) ainda está com a familia . [ Enviado em 27/6/2007 por LUIZ AURELIO BOGLAR - boglar@uol.com.br ] Gostei muito da orientação sobre a visualização da cidade do alto da Torre. Excelente para os estreantes na grande aventura que é a descoberta dos Patrimônios Históricos de São Paulo! Parabéns [ Enviado em 3/5/2007 por Isaura Cardoso - zamorais@fatecsp.br ] Bonito comentário .Fiz a visita com alunos da 6a.série e estamos fazendo uma oficina para uma feira cultural.O comentário nos ajudou em muito. Obrigada [ Enviado em 14/10/2006 por Isilda Maria Fabris Gonçalves - isafabris@hotmail.com ] essa é a Senhora Neuza que nós conhecemos, dona que é de uma invejavel memória-fotográfica! Um prato cheio para quem tem fome de história! [ Enviado em 27/5/2006 por turan bei - turanbei@hotmail.com ] Que beleza,Neuza.Nunca subi lá,mas depois de sua ótima descrição do prédio e seus arredores,dá vontade.Então vamos que vamos! [ Enviado em 27/5/2006 por Luiz Simões Saidenberg - saidenberg@ajato.com.br ] |