Leia as histórias

:: Cadê a Galeria Borba Gato ::

Categoria: São Paulo do século XXI

Autor(a): Rita Cássia Oliveira | história publicada em 11/01/2010

Apesar de morar perto do centro de Santo Amaro, muitas vezes vou até ele sem prestar muita atenção a minha volta. Comportamento questionável, mas a justificativa esta na ponta da língua. Dia desses fui com uma das filhas a buscar alguns itens da lista de Natal da Seara da Paz - núcleo espírita a que frequento.

O calor com certeza ultrapassando os 38 graus ou pelo menos a tal sensação térmica chegava próximo. Não sei se por conta do calor ou da hora, não havia muita gente na Av. Adolfo Pinheiros, próximo ao Largo Treze. Fora os sons mesclados de carros, motos e ônibus podiam se ouvir também, outro arranjo para aquela orquestra ensurdecedora e que seria de uma britadeira.

Ao nos aproximarmos da Rua Manoel Borba, nos deparamos com uma muvuca na esquina oposta a nossa, mas como já disse o calor era grande e para não perder o hábito tínhamos muitas coisas ainda por fazer naquele "inferno" na terra de meu Deus - Largo Treze de Maio.

Descemos a Rua Manoel Borba dobramos a esquerda, na Rua Des. Bandeira de Melo seguimos em direção ao cemitério, na esquina tornamos a dobrar a esquerda, na Rua Gabriel Nettuzzi Perez já com sacolas cheias de brinquedos, pequenas roupas e calçados, seguimos em direção a Av. Adolfo Pinheiros para o carro, estacionado no Bradesco.

Enquanto aguardava o troco do estacionamento, mostrei mais uma vez onde ficava o "sobradão" de minha avó a Dna Belarmina e o grande quintal que ia até a outra rua, a Cap. Tiago Luz, hoje quase totalmente ocupado pelas Casas Bahia.

Ticket pago, carro na Rua Delmiro Sampaio, dobro a esquerda em direção a já citada avenida e com espanto nos deparamos com o canteiro de obras, a nossa direita, murado com tapumes brancos e marcado com o conhecido símbolo azul da Companhia do Metrô. Dentro dois grandes tratores tratavam de limpar a áreas.

O imenso calor que até então sentia se transformou em falta de ar, por alguns segundos lembrei que ali existiu uma escola de cabeleireiros e que lá pelos anos de 75/76 me propunha ser cobaia de alguma aluna aplicada. E o que dizer da Leiteria da Letícia, essa a memória foi buscar lá pelos anos de 62/63 quando minha tia nos mandava comprar leite pro lanche da tarde.

A memória de minha filha já foi mais recente, buscando a loja de calçados e a de bijuterias. O farol liberou nossa passagem, dobramos a esquerda e ainda buscando o ar, para me refrescar e para me refazer.
Mais a frente outro susto - cadê a Galeria Borba Gato e o Supermercado Futurama, a essa altura minha filha já mostrava outro terreno ladeado pelos mesmos tapumes com emblema do Metrô. Senti naquele momento a perda de parte da minha meninice e juventude.


E-mail do autor: rcco3@hotmail.com

:: Comente esta história ::

Nome:
E-mail:
Comentário:




- Antes de escrever seu comentário, lembre-se: a São Paulo Turismo não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!


:: COMENTÁRIOS ::


    Fico feliz por saber que a Galeria Borba Gato foi "preservada"; pois frequentei muito o Cine Bruni e meu ex-patrão frequentava o Xadrez Clube que ali existia. Atualmente moro em Sorocaba e dia desses passei de taxi pela rua Isabel Schmidt e vi que a área estava fechada com tapume e fiquei desolado pensando que a Galeria fora destruída. Aroldo Ramos 

    [ Enviado em 26/03/2010 por Aroldo Ramos da Silva - aroldoramos@gmail.com ]



    Rita é triste constatar que nossos mandatários com o aceite de alguns municipes, achem que progresso só é possível com a demolição do que já existe, sem avaliação e preservação da nossa história. Nas cidades mais antigas do que a nossa, existe uma preocupação em conservar os casarios e tudo que indique a evolução do local. A galeria só continua em pé graças ao envolvimento dos logistas numa briga com os ditos "cabeças pensantes". Nossos argumentos foram mais fortes.Parabens ao pessoal. 

    [ Enviado em 21/01/2010 por Robson - rotha-me@bol.com.br ]



    Rita, Tudo está mudando prá abrir alas pro progresso, mas quando eu passo de trem lá na linha Esmeralda, beirando o Pinheiros eu sinto uma esperança que nossos rios hão de ficar limpos um dia. Um abraço. Alaíde 

    [ Enviado em 18/01/2010 por Alaíde Santos - alaide.santos2010@hotmail.com ]



    A filha do dono da pastelaria(q. havia na entrada da gal unica,casou-se com o pasteleiro seu empregado,virou dono então temos pai,mãe,filha,genro,história de amor na Galeria Borba Gato,o amor é lindo! até a pag. 99,depois só Deus sabe. abs. 

    [ Enviado em 15/01/2010 por vilton giglio - viltongiglio@hotmail.com ]



    Rita, não é rua ou avenida Adolfo Pinheiros sim Pinheiro. Esclarecido? Não se faça de ingênua.Não entendi "perda da minha meninice"??? Por que? Se na sua meninice não existia a Galeria? 

    [ Enviado em 14/01/2010 por José Bacamarte de Moraes - jos@uol.com.br ]



    Parabens , sua narrativa é de deixar emocionado,poi sinto tambem esta angustia, de ver nosso bairro tão deteriorado,enfim é o progresso. 

    [ Enviado em 13/01/2010 por Ary Quintas - aryquintas@ig.com.br ]



    reli o texto e nao encontrei "rua adolfo pinheiros" como mencionado. Durante o passeio do dia,confirmo ter sido na Avenida já descrita. Quanto a historia de amor entre empregado e a filha do patrão desconheço  

    [ Enviado em 13/01/2010 por rita cassia oliveira - rcco3@hotmail.com ]



    Ainda bem q. temos o Estan,Rita conte-me daquela pastelaria,onde o empregado casou com a filha do dono,ainda temos pastel e coxinha! Ficaremos com fotos e saudades,acho que foi a seg. galeria do Brasil? ou não?  

    [ Enviado em 12/01/2010 por vilton giglio - viltongiglio@hotmail.com ]



    Rita, sim, é Pinheiro. Temos uma loja que alugamos para terceiros lá na Galeria, e o seccionamento, como citou o Estan, não a atingiu. Que sorte! Em razão disso o valor da mesma mais que triplicou. Sorte mesmo, pois a dávamos como "perdida". 

    [ Enviado em 12/01/2010 por asciudeme joubert - asciudeme@ig.com.br ]



    Rita. acredito que seja erro de digitação, mas não é Rua Adolfo Pinheiros, e sim Pinheiro. Realmente o progresso vai devastando a memoria da cidade. E quantas ja foram por "culpa" da construção do metrô. 

    [ Enviado em 11/01/2010 por Mário Lopomo - mlopomo@uol.com.br ]



    Rita,a Galeria Borba Gato, foi seccionada em aproximadamente 20,0m para obras do Metropolitano, com a promessa de ser restaurada apos as obras, por enquanto a entrada da Galeria é pela Rua São Benedito,mas de uma coisa eu tenho certeza,Santo Amaro está se transformando num verdadeiro paliteiro, predios para todos os lados e demolições dos casarões a vista de todos, os saudosistas que moravam aqui que venham logo para conferir a transformação,pois em breve só fotos no MUSEU DO CETRASA,Estan. 

    [ Enviado em 11/01/2010 por Estanislau Rybczynski - estan_tec@hotmail.com ]



    E o Progresso Rita, e o progresso, como se livrar dele? parabéns pela narrativa. 

    [ Enviado em 11/01/2010 por Arthur Miranda - 27.miranda@gmail.com ]



As histórias e comentários aqui publicados não refletem a opinião da São Paulo Turismo,
sendo o conteúdo de cada história e comentário de única e exclusiva responsabilidade, civil e penal, da pessoa que a enviou.


São Paulo Turismo S/A - Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Parque Anhembi - Santana - CEP 02012-021 - Telefone (11) 2226-0400
faleconosco@saopaulominhacidade.com.br | Termos de uso
Todos os direitos reservados